Muitas mulheres acreditam que o climatério começa apenas quando a menstruação termina ou quando aparecem as primeiras ondas de calor. Na prática, porém, algumas mudanças podem surgir anos antes da menopausa.
A mulher pode continuar menstruando normalmente ou perceber apenas pequenas alterações no ciclo, mas começar a notar que o corpo já não responde da mesma forma.
O sono piora, a energia diminui, controlar o peso se torna mais difícil, a irritabilidade aumenta e concentração, disposição e libido podem sofrer alterações.
Segundo o endocrinologista Dr. Leonardo De Gasperi, fundador da Clínica WHIM e médico dedicado ao cuidado da mulher 40+, esse é um relato frequente no consultório.
“Um dos erros mais comuns é a mulher imaginar que precisa parar de menstruar ou ter a primeira onda de calor para começar a pensar no climatério. Muitas chegam antes disso dizendo apenas que estão cansadas, dormindo mal, ganhando peso ou que deixaram de se sentir como antes.”
Climatério pode começar antes do fim da menstruação
Climatério e menopausa não representam exatamente a mesma coisa.
O climatério corresponde ao período de transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva da mulher. A menopausa, por sua vez, corresponde à última menstruação.
Por isso, os primeiros sinais podem aparecer enquanto os ciclos menstruais ainda acontecem.
Mudanças na frequência ou intensidade da menstruação podem chamar atenção, mas não são os únicos sinais possíveis.
Entre as alterações que podem aparecer nessa fase estão:
- • dificuldade para dormir ou sono pouco reparador;
- • cansaço e redução da disposição;
- • irritabilidade e mudanças de humor;
- • dificuldade de concentração;
- • alterações na libido;
- • maior dificuldade para controlar o peso;
- • mudanças na composição corporal;
- • alterações no ciclo menstrual;
- • sensação de redução da energia física e mental.
Os sintomas, entretanto, variam de mulher para mulher.
Algumas percebem mudanças importantes. Outras atravessam essa fase com poucas manifestações.
O sono pode ser um dos primeiros sinais
Uma das queixas frequentes é a mudança na qualidade do sono.
A mulher pode começar a acordar durante a noite, ter dificuldade para adormecer ou perceber que dorme a mesma quantidade de horas, mas acorda cansada.
Esse problema pode acabar afetando outras áreas da rotina.
Dormir mal pode reduzir a disposição, piorar a concentração, aumentar a irritabilidade e interferir na percepção de bem-estar.
Por isso, um sintoma aparentemente isolado pode fazer parte de um conjunto maior de mudanças.
Peso e composição corporal também podem mudar
Outro relato comum depois dos 40 é a percepção de que controlar o peso ficou mais difícil.
A mulher continua com hábitos semelhantes aos de alguns anos atrás, mas passa a perceber mudanças na composição corporal ou maior dificuldade para emagrecer.
Isso pode gerar frustração e levar a dietas cada vez mais restritivas ou aumento excessivo da carga de exercícios.
De Gasperi alerta que a primeira reação não deveria ser simplesmente aumentar a cobrança.
“Às vezes, a primeira coisa que essa mulher precisa entender é que existe uma mudança acontecendo. Interpretar toda mudança do corpo como fracasso pessoal só acrescenta culpa a uma situação que precisa primeiro ser compreendida.”
Irritabilidade e dificuldade de concentração merecem atenção
Mudanças emocionais e cognitivas também podem aparecer durante essa transição.
Algumas mulheres relatam maior irritabilidade, dificuldade de concentração, sensação de “mente cansada” ou perda de produtividade.
Em uma fase da vida normalmente marcada por grande volume de responsabilidades profissionais e familiares, esses sintomas podem ser confundidos apenas com estresse.
Segundo o médico, justamente por isso a avaliação precisa considerar o contexto completo da paciente.
“O climatério não acontece num laboratório. Acontece no meio da vida.”
Libido pode sofrer alterações
Mudanças no desejo sexual também podem aparecer durante o climatério.
A redução da libido pode estar relacionada a diferentes fatores, incluindo alterações hormonais, qualidade do sono, estresse, saúde emocional, relacionamento e condições clínicas.
Por isso, o sintoma não deve ser analisado isoladamente.
A avaliação individual ajuda a entender quais fatores estão contribuindo para a mudança e qual abordagem pode ser necessária.
Nem todo sintoma depois dos 40 é climatério
Apesar de esses sinais poderem surgir durante essa fase, o especialista chama atenção para um cuidado fundamental: nem tudo o que acontece depois dos 40 está relacionado aos hormônios.
Cansaço pode ter diversas causas.
Ganho de peso também.
O mesmo vale para alterações no sono, humor, memória, concentração e sexualidade, sono e exames quando necessários.
Quando procurar avaliação?
Mudanças persistentes em relação ao padrão habitual da mulher merecem atenção, especialmente quando começam a interferir na rotina e na qualidade de vida.
Alterações importantes do ciclo menstrual, sono, energia, humor, concentração, sexualidade ou composição corporal são motivos para conversar com um profissional de saúde.
O objetivo não é considerar qualquer sintoma como consequência automática do climatério.
É entender o que mudou, identificar possíveis causas e definir se há necessidade de acompanhamento ou tratamento.
Para De Gasperi, reconhecer essa transição também ajuda a mudar a forma como muitas mulheres encaram o envelhecimento.
“O corpo mudou. Isso não significa que a vida piorou. Talvez cuidar dessa fase não seja tentar recuperar uma versão antiga de si mesma, mas construir saúde para a mulher que ela está se tornando.”
Fonte:
Dr. Leonardo De Gasperi – Médico
CRM-SP 175056
Médico membro da Sociedade Brasileira de Climatério (SOBRAC) e da International Menopause Society (IMS), com atuação dedicada ao cuidado integral da mulher 40+. É fundador da Clínica WHIM e criador do conceito de Medicina de Continuidade.



