No Mês de Conscientização da Dor Crônica, juntamente com o Dr. Elias Balbino explicamos por que pacientes com diagnósticos parecidos sentem dores diferentes e como a neuromodulação e os procedimentos intervencionistas transformam o tratamento.
Imagem Ilustrativa

Duas pessoas recebem o mesmo laudo de hérnia de disco. Uma consegue trabalhar, praticar exercícios e manter sua rotina diária. A outra apresenta dor incapacitante, distúrbios severos do sono e limitações para tarefas simples do cotidiano. Se a alteração na imagem é semelhante, por que a experiência dolorosa é tão diferente?

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A resposta está em uma das principais evoluções da medicina moderna: compreender que a dor não depende unicamente da gravidade de uma lesão anatômica.

No Mês de Conscientização da Dor Crônica, reforço a importância de ir além dos exames e mapear os mecanismos biológicos, psicológicos e sociais envolvidos no sofrimento persistente.

A dor crônica não é apenas um sintoma prolongado. Em muitos pacientes, ela envolve alterações complexas no funcionamento do sistema nervoso, além de fatores que interferem no sono, no movimento, no comportamento e na qualidade de vida. Precisamos compreender por que aquele paciente sente dor, e não apenas identificar onde ele sente.

Para aprofundar essa discussão, convidei o Dr. Elias Balbino, médico direcionado ao tratamento de dores crônicas.

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Por que o mesmo diagnóstico provoca dores distintas?

A dor é uma experiência altamente individual. Fatores como a neurobiologia do sistema nervoso, estresse, ansiedade, padrão do sono, histórico de traumas e o contexto socioemocional alteram a forma como os estímulos dolorosos são processados no cérebro.

A medicina da dor classifica os mecanismos em três perfis principais:

1 – Dor Nociceptiva: Decorre da ativação de receptores após uma lesão ou ameaça em tecidos não neurais, como articulações, músculos e estruturas da coluna.

2 – Dor Neuropática: Resulta de lesão ou doença que afeta diretamente o sistema somatossensorial.

3 – Dor Nociplástica: Ocorre quando há alteração no processamento da nocicepção no sistema nervoso central, sem evidência clara de dano tecidual que justifique a intensidade dos sintomas.

Estes três mecanismos podem coexistir em um mesmo indivíduo. Por esse motivo, protocolos padronizados baseados unicamente em nomes de doenças falham em entregar alívio duradouro.

Recursos terapêuticos além da medicação

O manejo da dor crônica evoluiu significativamente, abrindo leques terapêuticos para pacientes que não obtêm resposta satisfatória com o uso isolado de analgésicos ou anti-inflamatórios.

Atualmente, a medicina da dor conta com recursos e procedimentos intervencionistas avançados:

  •  • Procedimentos Intervencionistas: Bloqueios anestésicos diagnósticos e terapêuticos, infiltrações guiadas, crioablação e procedimentos de radiofrequência;
  •  • Neuromodulação: Técnicas não invasivas ou sistemas implantáveis que modificam a atividade de circuitos neurais alterados por meio de estímulos elétricos ou magnéticos;
  •  • Tecnologias de Reabilitação: Fotobiomodulação, laser terapêutico, terapia por ondas de choque e estimulação eletromagnética;
  •  • Abordagem Interdisciplinar: Integração contínua com fisioterapia motora, psicologia clínica e acompanhamento nutricional.

“O mais importante não é utilizar muitos recursos, mas escolher a ferramenta adequada para cada mecanismo de dor”, reforça o Dr. Elias Balbino.

Restaurar a autonomia e a esperança

Muitas pessoas chegam aos centros especializados desacreditadas após passarem por múltiplos tratamentos frustrados. Nesses casos, a escuta acolhedora e o alinhamento de metas realistas são passos decisivos.

Nem sempre o objetivo inicial será eliminar 100% da dor em curto prazo. Regulamentar o sono, reduzir a frequência das crises, conseguir caminhar sem apoio ou retornar ao trabalho representam vitórias fundamentais na reconstrução da autonomia e da qualidade de vida.

 

Dr. Elias Balbino

CRM-PB: 15773

Médico com atuação direcionada ao tratamento de dores crônicas.

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