De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano, sendo o infarto uma das principais causas de morte no país.
Entre as mulheres, a atenção à saúde cardiovascular ganha ainda mais importância durante a transição para a menopausa. Mudanças hormonais que começam ainda na perimenopausa podem interferir nos vasos sanguíneos, no colesterol, na distribuição de gordura corporal e em outros fatores relacionados ao risco cardiovascular.
Recebemos a seguinte pergunta de Ana Lúcia, do Rio de Janeiro (RJ), no nosso Direct no Instagram:
“Depois da menopausa aumenta o risco de infarto? Como a mulher pode se cuidar melhor?”
A cardiologista e intensivista Dra. Noara Barros explica que o aumento do risco não acontece apenas depois da menopausa. As mudanças já podem ser observadas durante a perimenopausa, período de transição que antecede a última menstruação.
A menopausa aumenta o risco de doenças cardiovasculares?
Segundo Dra. Noara, sim. Tanto a perimenopausa quanto o período após a menopausa podem estar associados a um aumento do risco cardiovascular.
Um dos principais fatores envolvidos é a mudança nos níveis hormonais, especialmente a redução do estrogênio.
“Há oscilações de hormônios e, principalmente com a queda do estrogênio, pode-se perder a capacidade de dilatação dos vasos. Eles podem ficar mais rígidos”, explica a cardiologista.
Essas alterações podem favorecer o desenvolvimento de fatores de risco para doenças cardiovasculares.
O que acontece com os vasos sanguíneos após a queda do estrogênio?
O estrogênio participa de diferentes mecanismos do organismo e exerce influência sobre o sistema cardiovascular.
Segundo Dra. Noara, com a redução desse hormônio, os vasos podem apresentar menor capacidade de dilatação e maior rigidez.
Essas mudanças podem contribuir para um cenário de maior risco de desenvolvimento de hipertensão arterial e formação de placas de gordura nas artérias.
A saúde cardiovascular da mulher nessa fase, portanto, precisa ser observada de maneira mais ampla e não apenas quando algum sintoma aparece.
O colesterol pode mudar durante a menopausa?
Sim.
A cardiologista explica que durante essa fase também pode ocorrer uma piora no perfil do colesterol, incluindo aumento do LDL, popularmente conhecido como “colesterol ruim”.
O LDL elevado é um dos fatores relacionados ao desenvolvimento de placas de gordura nas paredes das artérias.
Quando essas alterações se somam a outros fatores, como hipertensão, resistência à insulina e envelhecimento, o risco cardiovascular pode aumentar.
A gordura abdominal também merece atenção?
Sim.
Outra alteração destacada por Dra. Noara é uma maior tendência ao acúmulo de gordura na região abdominal.
Essa mudança na distribuição da gordura corporal pode estar associada a alterações metabólicas e à resistência à insulina.
“Há maior tendência à deposição de gordura abdominal, resistência à insulina e todos esses fatores, somados ao próprio envelhecimento, aumentam de maneira significativa o risco cardiovascular das mulheres nessa fase”, explica.
Por isso, mudanças no peso e na composição corporal durante o climatério não devem ser observadas apenas do ponto de vista estético.
Por que a resistência à insulina pode aumentar o risco cardiovascular?
A resistência à insulina acontece quando o organismo passa a responder de forma menos eficiente à ação desse hormônio.
Quando presente junto a outros fatores, como excesso de gordura abdominal, alterações do colesterol e hipertensão, ela pode contribuir para um perfil metabólico menos favorável à saúde cardiovascular.
Por esse motivo, a avaliação da mulher na perimenopausa e na menopausa deve considerar diferentes aspectos de forma conjunta.
Como a mulher pode cuidar melhor do coração após os 40?
A prevenção cardiovascular deve ser individualizada, mas alguns pontos merecem acompanhamento regular nessa fase da vida.
Entre eles estão:
- • pressão arterial;
- • níveis de colesterol e triglicérides;
- • glicemia e saúde metabólica;
- • peso e circunferência abdominal;
- • prática regular de atividade física;
- • alimentação equilibrada;
- • qualidade do sono;
- • tabagismo e consumo de álcool;
- • histórico familiar de doenças cardiovasculares.
O acompanhamento médico também permite avaliar o risco individual considerando idade, sintomas, histórico pessoal, outras doenças e possíveis alterações surgidas durante o climatério.
É preciso esperar algum sintoma para procurar um cardiologista?
Não necessariamente.
Muitos fatores de risco cardiovascular, como colesterol elevado, hipertensão e resistência à insulina, podem evoluir inicialmente sem sintomas evidentes.
Por isso, acompanhar a saúde cardiovascular de forma preventiva ganha importância especialmente durante o climatério e após a menopausa.
A avaliação periódica permite identificar alterações precocemente e definir estratégias individualizadas para reduzir riscos.
Menopausa significa que toda mulher terá um problema cardíaco?
Não.
O aumento do risco cardiovascular não significa que todas as mulheres terão infarto ou desenvolverão doenças cardíacas após a menopausa.
O risco resulta da combinação de diferentes fatores, incluindo idade, genética, pressão arterial, colesterol, diabetes, tabagismo, sedentarismo, peso corporal e histórico clínico, além das mudanças hormonais dessa fase.
Para Dra. Noara, é justamente a soma desses elementos que precisa ser observada.
“Todos esses fatores, somados ao próprio envelhecimento da idade, aumentam de maneira significativa o risco cardiovascular das mulheres nessa fase”, afirma a cardiologista.
Por isso, a transição para a menopausa pode ser um momento importante para revisar hábitos, acompanhar fatores metabólicos e incluir a prevenção cardiovascular nos cuidados de rotina.
DIRECT AO DOUTOR
Se você tem uma dúvida, quer fazer uma pergunta para um médico profissional de saúde, participe do DIRECT AO DOUTOR. Envie sua pergunta via Direct no Instagram (@canaldoutortv).
Colaboração:
Dra. Noara Barros – Cardiologista
CRM-DF: 22865 | RQEs: 14188 (Clínica Médica), 16242 (Cardiologia)
Dra. Noara Barros Ribeiro é médica com atuação em Cardiologia, Medicina Intensiva e Gestão em Saúde. É membro da European Society of Cardiology (ESC), da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB).
Atua como médica assistente e possui experiência no cuidado de pacientes cardiovasculares e críticos, além do acompanhamento após internações em UTI, com foco na recuperação funcional e na prevenção de novas complicações.
