Psicóloga e psicanalista Dra. Joana d’Arc Sakai explica como vínculos sociais, novos projetos, atividade física e acompanhamento psicológico podem contribuir para o bem-estar na terceira idade
Imagem Ilustrativa

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 14% dos adultos com 60 anos ou mais convivem com transtornos mentais, e as condições de saúde mental entre idosos frequentemente continuam subdiagnosticadas.

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Mudanças familiares, aposentadoria, redução da autonomia, perdas afetivas e isolamento social podem fazer parte das transformações vividas nessa fase da vida. Por isso, cuidar da saúde mental depois dos 60 anos envolve não apenas observar possíveis sintomas emocionais, mas também preservar vínculos, autonomia, interesses e qualidade de vida.

Recebemos a seguinte pergunta de Lúcia Helena, de Campinas, no nosso Direct no Instagram:

“Quais cuidados com a saúde mental são mais importantes depois dos 60 anos?”

A psicóloga e psicanalista Dra. Joana d’Arc Sakai explica que alguns hábitos podem contribuir para uma vida emocionalmente mais saudável e ajudar na adaptação às mudanças que acompanham o envelhecimento.

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Por que manter vínculos sociais é importante após os 60?

Um dos primeiros cuidados destacados pela especialista é preservar os vínculos sociais e afetivos.

Amigos, familiares, grupos culturais, comunidades religiosas e outras formas de convivência podem ajudar a manter a pessoa conectada, participativa e emocionalmente amparada.

Segundo Dra. Joana, as trocas afetivas são especialmente importantes nessa fase da vida.

Quando esses vínculos diminuem, o risco é que o idoso passe a viver de maneira cada vez mais isolada, o que pode repercutir negativamente em seu bem-estar emocional.

Por isso, manter contato com outras pessoas, participar de atividades coletivas e preservar relações significativas deve fazer parte dos cuidados com a saúde mental na terceira idade.

Ter novos projetos ajuda na saúde mental?

Sim. A especialista também recomenda criar novos projetos ou retomar planos que ficaram para trás ao longo da vida.

Aprender outro idioma, estudar um instrumento musical, fazer viagens, participar de excursões, ampliar as leituras ou desenvolver um novo interesse são alguns exemplos.

Essas atividades ajudam a manter objetivos, curiosidade e participação ativa no cotidiano.

A aposentadoria, por exemplo, pode representar uma importante mudança de rotina. Para algumas pessoas, esse período abre espaço para experiências que não foram possíveis durante outras fases da vida.

Por isso, buscar novos interesses pode ajudar a construir uma rotina com propósito e significado.

Atividade física também contribui para a saúde mental?

Para Dra. Joana, saúde física e saúde mental precisam ser observadas conjuntamente.

Manter exercícios físicos regulares, buscar um sono reparador, ter uma alimentação equilibrada e realizar acompanhamento médico são cuidados que contribuem para a manutenção da qualidade de vida.

A atenção à saúde física também pode favorecer a autonomia, aspecto particularmente importante durante o envelhecimento.

Além disso, acompanhamento preventivo pode ajudar a identificar alterações de saúde antes que elas provoquem maiores limitações no cotidiano.

Visão, audição e mobilidade também merecem atenção?

Sim. A psicóloga ressalta que problemas relacionados à visão, audição e mobilidade também devem ser acompanhados.

Alterações nessas áreas podem dificultar atividades cotidianas e diminuir a participação social, favorecendo, em determinados casos, o isolamento.

Preservar a capacidade de se comunicar, circular e realizar atividades com independência contribui para que a pessoa continue participando do convívio familiar e social.

Por isso, avaliações e acompanhamento adequado dessas funções também integram um cuidado mais amplo com o envelhecimento.

Como manter o cérebro ativo depois dos 60?

A especialista recomenda incorporar atividades que estimulem constantemente o cérebro.

Entre as possibilidades estão:

  • • fazer leituras;
  • • participar de jogos e atividades de raciocínio;
  • • aprender novas receitas;
  • • conhecer novos lugares;
  • • estudar assuntos diferentes;
  • • aprender um instrumento ou idioma;
  • • manter atividades culturais e sociais.

A proposta é evitar uma rotina excessivamente restrita e continuar oferecendo ao cérebro novos estímulos e experiências.

Para Dra. Joana, embora o avanço da idade possa trazer algumas limitações, essa etapa também pode ser acompanhada de maior liberdade, maturidade e possibilidade de realizar novos projetos.

Quando procurar ajuda psicológica?

Não é necessário esperar o aparecimento de um transtorno mental para buscar acompanhamento psicológico.

A psicoterapia pode auxiliar em diferentes transições que acontecem depois dos 60 anos, entre elas:

  • • aposentadoria;
  • • separações;
  • • mudanças na estrutura familiar;
  • • saída dos filhos de casa;
  • • perdas afetivas;
  • • redução da autonomia;
  • • sensação de vazio ou falta de propósito.

Segundo Dra. Joana, procurar apoio profissional pode ajudar a compreender essas mudanças e encontrar novas formas de lidar com elas.

“Não espere aparecer uma doença para procurar ajuda. Faça isso o quanto antes você conseguir”, orienta a psicóloga.

O que ajuda a preservar a saúde mental na terceira idade?

O cuidado com a saúde mental após os 60 anos passa por diferentes áreas da vida.

Manter relações afetivas, continuar aprendendo, estabelecer novos projetos, cuidar da saúde física, preservar a autonomia e procurar apoio profissional quando necessário são algumas das estratégias apontadas pela especialista.

Mais do que reagir apenas quando surge um problema, a recomendação é incorporar esses cuidados à rotina e acompanhar as transformações dessa fase da vida de maneira preventiva.

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Colaboração

Dra. Joana d’Arc Sakai – Psicóloga
CRP 06/18972-72

Dra. Joana d’Arc Sakai é doutora e mestra em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e possui especialização em Psicanálise de crianças e adolescentes.

Atua com psicopedagogia, atendimentos clínicos e assessoria educacional, além de ministrar palestras sobre Psicologia, Educação e desenvolvimento da mulher, com atuação também no meio corporativo.

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