O uso do balão intragástrico no Brasil é respaldado por uma ampla experiência clínica. O I Consenso Brasileiro de Balão Intragástrico reuniu dados de 41.863 pacientes tratados com o método, consolidando informações sobre indicações, contraindicações, acompanhamento e resultados do procedimento.
Também chamado popularmente de balão gástrico, o dispositivo é utilizado como uma das alternativas no tratamento do excesso de peso e da obesidade. Mas uma dúvida comum entre quem busca emagrecer é: qualquer pessoa pode colocar um balão intragástrico?
Foi justamente sobre esse assunto que Mariana Lopes, de Belo Horizonte, enviou uma pergunta pelo Direct no Instagram do Doutor TV:
“O balão gástrico é indicado para qualquer pessoa que quer emagrecer?”
O gastroenterologista Dr. Túlio Medeiros explica que existem critérios para a indicação e que cada paciente precisa passar por uma avaliação individualizada antes da realização do procedimento.
Quem pode colocar um balão intragástrico?
Segundo Dr. Túlio Medeiros, um dos principais critérios considerados durante a avaliação é o Índice de Massa Corporal (IMC).
“Existem indicações formais para o balão gástrico. A partir de 27 de IMC, o paciente já pode ser avaliado para a colocação do balão, desde que não apresente contraindicações”, explica.
Diretrizes citadas em análise técnica da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) também incluem pacientes com IMC a partir de 27 kg/m² que não responderam adequadamente ao tratamento clínico convencional, envolvendo estratégias como mudanças no estilo de vida e tratamento médico.
Por isso, ter vontade de emagrecer, isoladamente, não significa que o balão intragástrico seja automaticamente indicado.
É necessário analisar o peso, o IMC, o histórico do paciente, tratamentos realizados anteriormente, condições de saúde e possíveis contraindicações.
O que significa ter IMC a partir de 27?
O IMC, ou Índice de Massa Corporal, é um dos parâmetros utilizados pelos profissionais de saúde para avaliar a relação entre peso e altura.
Um IMC a partir de 25 kg/m² é classificado como sobrepeso, enquanto valores a partir de 30 kg/m² entram na classificação de obesidade.
No caso do balão intragástrico, Dr. Túlio destaca que pacientes com IMC a partir de 27 kg/m² podem entrar nos critérios para avaliação do procedimento.
Isso não significa, porém, que todas as pessoas nessa faixa devam colocar um balão.
A indicação precisa ser individualizada e realizada após consulta médica.
Existem diferentes tipos de balão gástrico?
Sim.
De acordo com Dr. Túlio, durante a avaliação o médico também precisa definir qual estratégia é mais adequada para cada paciente.
Existem modelos de balão que podem permanecer no estômago por períodos diferentes, incluindo dispositivos utilizados por aproximadamente seis ou 12 meses, dependendo do modelo e da indicação clínica. Documentos técnicos recentes da ANS também registram que os balões disponíveis variam em material, volume, duração e método de colocação e retirada.
A escolha deve considerar as características individuais do paciente e o planejamento do tratamento.
“Na avaliação médica, a gente vai personalizar e individualizar qual tipo de balão é mais adequado para aquele paciente”, explica Dr. Túlio.
Quem tem obesidade mais grave também pode usar o balão?
Em determinados casos, sim.
O balão intragástrico também pode fazer parte da estratégia de tratamento de pacientes com graus mais elevados de obesidade.
Segundo Dr. Túlio Medeiros, existem situações em que o dispositivo é utilizado antes de uma cirurgia bariátrica, com o objetivo de promover redução de peso antes do procedimento cirúrgico.
O próprio Consenso Brasileiro descreve o uso do balão em diferentes faixas de IMC, incluindo pacientes com obesidade grave, nos quais pode ser empregado como uma estratégia de transição ou preparação para a cirurgia bariátrica.
“Tem muitos pacientes que colocam o balão gástrico para diminuir o excesso de peso e chegar à cirurgia bariátrica com melhores condições clínicas”, afirma o gastroenterologista.
Balão gástrico substitui a cirurgia bariátrica?
Não necessariamente.
O balão intragástrico e a cirurgia bariátrica são tratamentos diferentes e possuem indicações específicas.
Em alguns pacientes, o balão pode ser utilizado como parte do tratamento do excesso de peso. Em outros, pode funcionar como uma etapa anterior a uma cirurgia.
A decisão depende de fatores como IMC, presença de doenças associadas à obesidade, histórico de tratamentos anteriores, condições clínicas e objetivos terapêuticos.
Por isso, não existe uma única estratégia adequada para todas as pessoas.
É preciso fazer avaliação antes de colocar o balão?
Sim.
Mesmo quando o paciente apresenta um IMC compatível com uma possível indicação, a colocação do balão depende de avaliação médica.
O especialista deve verificar se existem contraindicações, analisar o histórico clínico e definir se o procedimento realmente representa uma alternativa adequada naquele caso.
Essa avaliação também permite estabelecer qual modelo de balão pode ser utilizado e como será realizado o acompanhamento durante o processo de emagrecimento.
Portanto, o balão intragástrico não é indicado simplesmente para qualquer pessoa que deseja perder peso. A decisão deve ser baseada em critérios médicos e em uma avaliação individualizada.
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Colaboração
Dr. Túlio Santos de Medeiros – Gastroenterologista
CRM-SP: 132.218 | RQE: 35.078
Dr. Túlio Santos de Medeiros é médico formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 2005, com especialização em Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva. É especialista pela SOBED/AMB, realizou residência médica no Hospital Nove de Julho/Hospital Ipiranga e possui pós-graduação em Doenças Funcionais e Manometria pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
É membro da Sociedade Americana de Endoscopia Gastrintestinal (ASGE) e realiza atualizações profissionais na Harvard University. Atualmente, é mestrando pelo IAMSPE e possui MBA em Gestão de Negócios de Saúde pela FGV/SP.
Atua em endoscopia digestiva avançada, com ênfase em endoscopia bariátrica, além de contribuir para a formação de novos especialistas e coordenar serviços de endoscopia em São Paulo, incluindo Clínica Fares, HSANP e Hospital Presidente.
