Psicóloga e neuropsicóloga Veronicka Seegmueller explica quais sinais podem indicar que as dificuldades escolares de uma criança precisam ser investigadas e por que esperar pelo fracasso pode afetar também sua autoestima.
Imagem Ilustrativa

Dificuldades para aprender a ler, escrever, relacionar letras e sons, realizar cálculos ou acompanhar as atividades em sala de aula podem gerar uma dúvida comum entre pais e responsáveis: como saber se a criança está apenas passando por uma fase ou se existe uma dificuldade de aprendizagem que precisa ser investigada?

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O tema ganha ainda mais importância diante dos indicadores relacionados à aprendizagem infantil no Brasil.

Segundo dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a proporção de estudantes de 7 anos que não sabem ler ou escrever saltou de 20% em 2019 para 40% em 2022. Entre os alunos de 8 anos, a taxa passou de 8,5% para 20,8% no mesmo período. Já entre as crianças de 9 anos, o percentual de estudantes com dificuldades no aprendizado aumentou de 4,4% para 9,5%, entre 2019 e 2022.

Foi justamente sobre esse assunto que Carla Mendes, seguidora do Doutor TV, enviou uma pergunta pelo Direct no Instagram:

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“Como saber se meu filho tem dificuldade de aprendizagem ou é somente uma fase?”

A psicóloga e neuropsicóloga Veronicka Seegmueller explica que cada criança possui seu próprio ritmo de desenvolvimento, mas alguns sinais merecem atenção, principalmente quando as dificuldades persistem.

Quando a dificuldade de aprendizagem deve ser investigada?

Segundo Veronicka, uma dificuldade precisa ser observada com mais atenção quando persiste ao longo do tempo, aumenta a distância da criança em relação aos colegas ou começa a provocar sofrimento emocional.

Cada criança tem seu próprio ritmo, mas existe uma diferença entre respeitar esse processo e simplesmente esperar enquanto ela acumula dificuldades, experiências de fracasso e perda de autoestima.

Entre os sinais que podem justificar uma avaliação estão:

  • • dificuldade persistente para aprender letras e relacionar sons e letras;
  • • problemas frequentes na leitura ou na escrita;
  • • dificuldade para compreender números e realizar cálculos;
  • • dificuldade para acompanhar instruções e atividades propostas em sala de aula;
  • • desempenho escolar abaixo do esperado mesmo com ensino e estímulos adequados;
  • • resistência crescente a estudar, ler ou frequentar a escola;
  • • frustração, sofrimento ou queda da autoestima relacionados ao aprendizado.

A presença de um desses sinais isoladamente não significa necessariamente que exista um transtorno de aprendizagem ou algum diagnóstico específico. A avaliação serve justamente para compreender o que está acontecendo e identificar quais recursos podem ajudar aquela criança.

É preciso esperar a criança amadurecer?

Frases como “cada criança tem seu tempo”, “uma hora ela amadurece” ou “daqui a pouco acontece o clique” são frequentemente utilizadas para tranquilizar as famílias.

Para Veronicka, porém, é preciso ter cautela.

Se realmente for apenas uma etapa do desenvolvimento, a criança poderá avançar naturalmente. Mas, quando existe uma dificuldade persistente, esperar por muito tempo pode fazer com que ela continue entrando diariamente em uma sala de aula e percebendo que os colegas conseguem realizar determinadas tarefas enquanto ela não consegue.

Com o passar do tempo, uma dificuldade que inicialmente era apenas acadêmica pode começar a afetar a maneira como a criança percebe a própria capacidade.

Pensamentos como “eu não consigo”, “sou menos inteligente”, “não gosto de ler” ou “não quero ir para a escola” podem aparecer e comprometer sua relação com o aprendizado.

Avaliar não significa necessariamente dar um diagnóstico

Um dos pontos destacados pela neuropsicóloga é que não é necessário esperar pelo fracasso escolar ou por um diagnóstico para começar a ajudar uma criança.

Antes disso, algumas questões precisam ser analisadas. É importante entender, por exemplo, se a criança está recebendo um ensino adequado e, mesmo assim, continua apresentando dificuldades importantes.

A avaliação também permite investigar diferentes fatores que podem estar relacionados ao desempenho escolar e compreender quais estratégias, adaptações ou intervenções podem ser necessárias naquele momento.

Por isso, procurar ajuda profissional diante de uma suspeita não significa automaticamente buscar um diagnóstico.

Avaliar significa tentar entender por que aquela criança está encontrando dificuldades para aprender e do que ela precisa para avançar.

Por que a intervenção precoce é importante?

Quanto antes uma dificuldade persistente é identificada, mais cedo podem ser adotadas estratégias para evitar que pequenas lacunas se transformem em obstáculos maiores ao longo da vida escolar.

Para Veronicka, uma das principais preocupações deve ser impedir que o problema acadêmico alcance também a autoestima e o sentimento de competência da criança.

Por isso, a orientação aos pais e responsáveis é observar a evolução escolar, manter diálogo com a escola e buscar uma avaliação quando perceberem que as dificuldades permanecem ou estão provocando sofrimento.

Na dúvida, não é preciso esperar a criança fracassar para investigar. A avaliação pode ajudar a compreender o problema e indicar o suporte adequado para cada caso.

DIRECT AO DOUTOR

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Colaboração:

Veronicka Seegmueller – Neuropsicóloga e Psicopedagoga

CRP-PR: 08/1315-9

Psicóloga, pedagoga, neuropsicóloga e psicopedagoga com mais de duas décadas de sólida trajetória na intersecção entre clínica e ambiente educacional. Fundadora do espaço SuperCog Aprendizagem. Movida por sua vivência pessoal com o diagnóstico tardio de dislexia, dedica sua carreira ao desenvolvimento de metodologias estruturadas (como o raciocínio alfabético) para auxiliar crianças, famílias e escolas a superarem barreiras acadêmicas e cognitivas.

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