O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que exige um olhar atento e multidisciplinar. Dados do Ministério da Saúde revelam a magnitude dessa demanda: em 2021, o Brasil realizou 9,6 milhões de atendimentos ambulatoriais a pessoas com autismo, sendo 4,1 milhões destinados a crianças de até 9 anos.
A psicóloga Camila Lessa, especialista em neurodesenvolvimento com pós-graduação pelo Instituto Albert Einstein e fundadora da Clínica Integrary, falou sobre as nuances do espectro e a importância do suporte especializado aos pacientes.
A amplitude do espectro e a individualidade no suporte
O autismo não é uma condição homogênea. Ele se manifesta em diferentes níveis de suporte, habilidades e desafios únicos. O papel da psicologia é olhar para o indivíduo além do diagnóstico, realizando uma avaliação funcional do comportamento e investigando habilidades comunicativas e adaptativas.
“Investigamos o que a pessoa faz e o porquê, identificando interesses, sensibilidades sensoriais e formas específicas de aprendizagem”, explica Camila Lessa. Essa personalização permite que as estratégias de suporte sejam realmente eficazes para a autonomia do paciente.
O impacto vital do diagnóstico precoce na infância
A intervenção precoce é considerada o padrão-ouro no TEA. Isso ocorre porque o cérebro infantil possui alta neuroplasticidade, facilitando a criação de novas conexões neurais e o aprendizado de habilidades fundamentais que servirão de base para a vida adulta.
Sinais de alerta para pais e educadores:
- Pouco ou nenhum contato visual;
- Ausência de balbucio ou fala esperada para a idade;
- Não responder quando chamado pelo nome;
- Movimentos repetitivos ou fixação intensa por objetos;
- Atrasos em marcos como apontar, imitar e o brincar simbólico.
Terapias baseadas em evidências: a ciência a favor da inclusão
Abordagens como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) são essenciais para o desenvolvimento de autonomia. Elas utilizam ensino estruturado e reforço positivo para trabalhar a comunicação e a interação social com um propósito funcional.
O foco dessas terapias é sempre a melhora da qualidade de vida e a independência. Ao transformar barreiras comportamentais em habilidades aprendidas, o suporte psicológico prepara a criança para uma integração social mais fluida e segura.
Autismo na vida adulta e o suporte à rede familiar
Muitos adultos recebem o diagnóstico tardiamente, o que pode trazer alívio após anos de sensação de inadequação. A psicologia auxilia essas pessoas a ressignificarem suas histórias, construindo estratégias para uma vida profissional e pessoal equilibrada.
Além do paciente, o autismo impacta toda a estrutura familiar. “Pais e cuidadores enfrentam sobrecarga emocional e insegurança. O suporte psicológico é vital para a regulação emocional da família e o fortalecimento do vínculo”, destaca Camila Lessa. Uma sociedade inclusiva depende de escolas preparadas e ambientes adaptados às necessidades sensoriais do autista.
Perguntas frequentes sobre o Transtorno do Espectro Autista (FAQ)
O autismo pode ser “curado” com terapia?
O autismo não é uma doença, mas uma condição de desenvolvimento. As terapias não buscam a “cura”, mas sim o desenvolvimento de habilidades que garantam autonomia e qualidade de vida.
A partir de qual idade é possível diagnosticar o TEA?
Sinais podem ser percebidos antes dos 2 anos de idade. Quanto mais cedo a intervenção começar, melhores são os resultados devido à plasticidade cerebral da criança.
O que é a neuroplasticidade mencionada no tratamento?
É a capacidade do cérebro de se adaptar e criar novas conexões. Na infância, essa capacidade é máxima, por isso as intervenções precoces são tão eficazes.
Como a escola pode ajudar na inclusão do aluno autista?
Através de planos de ensino individualizados, adaptações sensoriais no ambiente (redução de ruídos ou luzes fortes) e capacitação dos mediadores escolares.
Fonte:
Camila Lessa – CRP-SP: 06/149529
Psicóloga Especialista em neurodesenvolvimento com pós-graduação em Autismo (Instituto Albert Einstein). Formação em Terapia Cognitivo-Comportamental (PUC) e Análise do Comportamento Aplicada (IBAC). Fundadora da Clínica Integrary.
