A terapeuta ocupacional Monique Bacin explica as estratégias para manejar comportamentos de autolesão e heterolesão em pacientes com autismo severo.
A Terapeuta Ocupacional Monique Bacin no Doutor TV Entrevista com Salatiel Araújo

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) em níveis de suporte 2 e 3 exige um olhar especializado, especialmente quando envolvem comportamentos autolesivos (agressão a si mesmo) ou heterolesivos (agressão ao outro). Segundo a terapeuta ocupacional Monique Bacin, essas reações não são aleatórias; elas possuem funções comunicativas, sensoriais ou fisiológicas que precisam ser decifradas.

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A terapia ocupacional atua na promoção da independência e autonomia, avaliando como as dificuldades de modulação e discriminação sensorial impactam a vida do paciente. Em casos severos, onde podem ocorrer centenas de episódios de autolesão por hora, o tratamento individualizado é a única via para reduzir a intensidade desses eventos e devolver a dignidade à rotina familiar.

O suporte vai além do consultório, atingindo a dinâmica da casa. Para Monique, entender o que sustenta o comportamento é o primeiro passo para criar estratégias que concorram com a necessidade do organismo, permitindo que o paciente se organize sensorialmente sem se machucar.

Por que ocorrem os comportamentos agressivos no autismo?

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A agressividade direcionada ao outro (heterolesão) muitas vezes está ligada à sobrecarga sensorial e a falhas na comunicação. Barulhos excessivos, ambientes desorganizados ou a incapacidade de expressar uma frustração podem levar o autista a um estado de desorganização profunda.

Para mitigar esses episódios, o trabalho multidisciplinar utiliza ferramentas como:

  • Comunicação Alternativa: Sistemas que ajudam o paciente a expressar desejos e necessidades.
  • Rotinas Visuais: Antecipação das atividades do dia para reduzir a ansiedade.
  • Integração Sensorial: Técnicas específicas para ajudar o cérebro a processar estímulos do ambiente de forma adequada.

A melhora do quadro é possível em todos os níveis de suporte. Embora nem sempre o comportamento seja eliminado por completo, a redução da frequência e da gravidade das crises transforma significativamente a qualidade de vida do autista e de seus cuidadores.

Sinais de alerta e a importância da intervenção precoce

Embora cada criança tenha seu tempo, é fundamental respeitar as janelas dos marcos do desenvolvimento. Pais e cuidadores devem ficar atentos a sinais como regressão na fala, falta de contato visual, ausência de interação social ou vocalização limitada.

A intervenção precoce aproveita a plasticidade cerebral, mas Monique Bacin ressalta que o tratamento é eficaz em qualquer idade, incluindo adolescentes e adultos que nunca tiveram suporte. O acompanhamento deve ser sempre equipe multidisciplinar, envolvendo neurologistas, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais.

A identificação correta da função do comportamento — se é fuga de demanda, busca por atenção ou alívio de uma dor interna — permite que a equipe trace um plano terapêutico assertivo. O objetivo final é sempre garantir que o indivíduo tenha o máximo de autonomia nas escolhas e funcionalidade no dia a dia.

Perguntas Frequentes sobre Autismo Severo (FAQ)

O que define um comportamento autolesivo no autismo? É a ação de causar dano físico a si mesmo de forma repetitiva. No autismo, isso pode ocorrer por desregulação sensorial, dificuldade de comunicação ou causas fisiológicas internas.

Comportamentos agressivos podem ser reduzidos com terapia? Sim. Através da identificação da função do comportamento e da reorganização do ambiente, é possível diminuir significativamente a frequência e a intensidade das agressões.

Qual o papel da Terapia Ocupacional no TEA? A T.O. trabalha as questões sensoriais e funcionais para promover independência nas atividades diárias e ajudar o paciente a processar melhor os estímulos do mundo ao seu redor.

A partir de qual idade os sinais de autismo aparecem? Sinais podem ser percebidos nos primeiros meses de vida, como a falta de resposta ao nome ou ausência de sorriso social. A intervenção precoce é recomendada logo que as suspeitas surgem.

Existe tratamento para autistas adultos com comportamentos severos? Sim. O tratamento para adultos foca na adaptação da rotina, funcionalidade e estratégias sensoriais para reduzir comportamentos de risco e aumentar a participação social e autonomia.

 

Fonte: Monique Bacin – Terapeuta Ocupacional

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