Neste artigo, explico os riscos cardiovasculares do climatério, o impacto da queda estrogênica e os avanços da reposição hormonal.
Imagem Ilustrativa

A menopausa é um marco biológico inevitável na vida da mulher. Além disso, a transição hormonal do climatério envolve transformações metabólicas profundas, que vão além das ondas de calor (fogachos) e do ressecamento vaginal. A síndrome metabólica, cujos critérios são definidos por diretrizes médicas internacionais, torna-se mais frequente após a menopausa e representa um ponto de inflexão no risco cardiovascular e na longevidade feminina.

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Em entrevista ao apresentador Salatiel Araújo, falei sobre os perigos do acúmulo de gordura visceral, a perda da cardioproteção e como a Terapia de Reposição Hormonal (TRH), quando bem indicada, pode melhorar a saúde e a qualidade de vida da mulher.

Por que o risco cardiovascular aumenta após a menopausa?

O estrogênio (especialmente o estradiol) atua como um dos principais protetores do sistema vascular, cerebral e metabólico da mulher. Quando os ovários reduzem e depois encerram a produção hormonal, o organismo passa por alterações importantes:

• Acúmulo de Gordura Visceral: Com a queda do estradiol, o organismo tende a quebrar menos gordura (lipólise) e a acumulá-la nas regiões viscerais (profundas no abdômen). Isso contribui para o aumento da circunferência abdominal, dos triglicérides e do colesterol ruim (LDL);

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• Perda da Vasodilatação: O estrogênio estimula a produção de óxido nítrico nas artérias, substância que ajuda a manter os vasos relaxados. Com a queda do hormônio, os vasos tendem a ficar mais rígidos, o que contribui para o aumento do risco de infarto do miocárdio e de acidente vascular cerebral (AVC);

• Compulsão por Doces e Impacto Cognitivo: O cérebro consome cerca de 20% da energia do corpo, principalmente na forma de glicose, e o estradiol participa do aproveitamento dessa glicose pelos neurônios. Com a queda do hormônio, muitas mulheres percebem mais vontade de comer doces e carboidratos refinados, além de névoa mental (brain fog) e falhas de memória. A relação entre a menopausa e o risco de Alzheimer segue sendo estudada pela ciência.

O marco da segurança e a verdade sobre a Reposição Hormonal

Durante décadas, o medo da reposição hormonal, baseado em grande parte em uma leitura generalizada dos resultados do estudo WHI, afastou muitas mulheres do tratamento. Em novembro de 2025, a FDA (agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos) anunciou a retirada dos alertas de “tarja preta” das bulas dos hormônios aprovados para a menopausa, após reavaliar esses dados. A agência reconheceu que os riscos dependem da idade de início, do tipo de hormônio e do perfil de cada mulher, e passou a recomendar que a terapia, quando indicada, seja iniciada antes dos 60 anos ou em até 10 anos após a menopausa: a chamada “janela de oportunidade”.

Quando indicada pelo médico, a terapia hormonal apresenta melhor relação entre benefícios e riscos se iniciada na perimenopausa ou nos primeiros anos após a menopausa, antes que os danos vasculares e metabólicos estejam consolidados:

1 – Estradiol: Reposto por via transdérmica (géis ou adesivos), contribui para a saúde vascular, a preservação da massa óssea e o metabolismo energético;

2 – Progesterona Bioidêntica: Administrada por via oral (micronizada) para proteção do endométrio em mulheres que possuem útero;

3 – Testosterona: Pode ser indicada por via transdérmica, por tempo determinado e com acompanhamento médico, para mulheres.

Cuidar do metabolismo na maturidade é um ato de prevenção primária de saúde. A reposição hormonal individualizada, quando indicada e associada ao exercício físico resistido e à reeducação alimentar, contribui para que a mulher atravesse a menopausa com mais qualidade de vida, autonomia e saúde.

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