Neste artigo explico a coriorretinopatia serosa central, a mioquimia palpebral e o impacto do cortisol na visão.
Imagem Ilustrativa

A relação entre estresse crônico e prejuízos à saúde cardiovascular e mental já é bem documentada. Contudo, o impacto dos picos de estresse e da sobrecarga de trabalho sobre a saúde ocular ainda é frequentemente negligenciado. A retina tecido altamente vascularizado responsável por captar a luz e enviar imagens ao cérebro também sofre diretamente as consequências da liberação desregulada de hormônios como o cortisol e a adrenalina.

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Em entrevista ao apresentador Salatiel Araújo explico como o ritmo de vida acelerado pode levar ao surgimento de patologias maculares e espasmos oculares.

Coriorretinopatia serosa central: líquido na retina central

Uma das patologias mais diretamente associadas ao perfil comportamental estressado (ou ao uso crônico de corticoides) é a coriorretinopatia serosa central. O excesso de cortisol altera a permeabilidade da coriocapilar (camada vascular abaixo da retina), enfraquecendo a barreira de proteção formada pelo epitélio pigmentado da retina (EPR):

  •  • Sintomas e Visão “Debaixo D’água”: O vazamento de líquido extravasa para a região macular (centro da visão), criando um descolamento seroso. O paciente percebe uma bolha central, visão turva com distorção (metamorfopsia) e a sensação visual semelhante a olhar através da água;
  •  • Perfil Acometido: É mais frequente em adultos jovens e de meia-idade (entre 20 e 50 anos) submetidos a altas cargas de responsabilidade profissional;
  •  • Diagnóstico e Conduta: O diagnóstico é confirmado por exame de fundo de olho, Tomografia de Coerência Óptica (OCT) e angiofluoresceinografia. Como a alteração pode reabsorver espontaneamente ao reduzir o estresse e repousar, a conduta inicial costuma ser expectante. Em casos recorrentes ou refratários, indica-se a aplicação de laser amarelado (micropulse) para selar o ponto de vazamento sem queimar a área foveal.ki

Mioquimia palpebral: o tremor involuntário da pálpebra

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Outro sintoma extremamente frequente em consultórios oftalmológicos é o tremor involuntário da pálpebra, conhecido clinicamente como mioquimia palpebral.

Trata-se de uma fasciculação benigna provocada pela fadiga dos músculos orbiculares, decorrente do cansaço, noites mal dormidas, esforço acomodativo e sobrecarga de telas. Na grande maioria das vezes, o sintoma cessa espontaneamente ao restaurar o descanso e controlar a ansiedade. Em quadros mais graves ou incapacitantes como o blefarospasmo essencial, pode ser necessária a intervenção com aplicação de toxina botulínica para interromper o espasmo.

Priorizar a saúde mental, o sono reparador e o acompanhamento médico multidisciplinar é fundamental para proteger a visão e manter a qualidade de vida no dia a dia.

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