Neste artigo esclareço como funciona a técnica de indução da ovulação, o acompanhamento do ciclo e quando avançar no tratamento.
Imagem Ilustrativa

Para casais jovens que estão iniciando a investigação de dificuldades para engravidar, o coito programado (também chamado de namoro programado) costuma ser a primeira abordagem terapêutica indicada pela medicina reprodutiva. Trata-se de uma técnica de baixa complexidade que visa otimizar e monitorar o momento exato da ovulação para maximizar as chances de fertilização espontânea.

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Em entrevista ao apresentador Salatiel Araújo explico o passo a passo da técnica, o uso de medicações indutoras e as taxas de sucesso observadas no consultório.

Como funciona o coito programado?

O procedimento é fundamentado em um controle rigoroso sobre a fase folicular e lútea do ciclo menstrual da mulher:

1 – Indução da Ovulação (Fase Folicular): Embora possa ser feito em ciclo natural, o especialista habitualmente prescreve medicações hormonais em baixas doses (via oral ou injetável) para estimular o desenvolvimento de 2 a 3 folículos ovarianos, aumentando a probabilidade de maturidade ovocitária;

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2 – Gatilho e Agendamento (Ovulação): Quando os folículos atingem o tamanho ideal (monitorados por ultrassonografia transvaginal), administra-se uma medicação indutora final (hcg). A ovulação ocorre aproximadamente 36 horas depois, momento exato em que o casal é orientado a ter relações sexuais;

3 – Suporte de Fase Lútea: Após a ovulação, inicia-se a suplementação de progesterona (geralmente por via vaginal) para preparar o endométrio e favorecer a implantação do embrião.

O papel do parceiro e as taxas de sucesso

A saúde seminal do parceiro também é decisiva. Para otimizar a qualidade e a motilidade dos espermatozoides, orienta-se uma ejaculação de renovação de 2 a 3 dias antes da data prevista para a ovulação e, em seguida, relações focadas na janela fértil.

  • • Taxa de Sucesso: O coito programado restaura a taxa de fertilidade habitual de um casal jovem sem problemas graves, girando em torno de 15% a 20% de chance de gravidez por ciclo;
  • • Duração do Tratamento: Recomenda-se tentar o protocolo por 3 a 6 ciclos. Caso não ocorra a gestação, reavalia-se o quadro para avançar na escala de complexidade da reprodução assistida.

Escala de complexidade na reprodução assistida

Quando o coito programado não resulta em gravidez, o especialista conduz o casal para métodos que oferecem maior controle sobre as variáveis reprodutivas:

  • • Inseminação Intrauterina (IIU): Prepara-se a amostra seminal em laboratório para selecionar os espermatozoides de maior motilidade e introduzi-los diretamente no fundo do útero por meio de um cateter, ultrapassando o colo uterino;
  • • Fertilização in Vitro (FIV): Técnica de alta complexidade em que os óvulos são coletados no centro cirúrgico e a fertilização ocorre em ambiente laboratorial. Os embriões gerados são cultivados até a fase de blastocisto antes de serem transferidos ao útero, apresentando as maiores taxas de sucesso por ciclo.

Fazer uma avaliação completa do casal permite identificar o método mais simples, seguro e econômico para alcançar a gestação com tranquilidade.

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