Neste artigo explico as causas do câncer de esôfago, a diferença entre os tipos histológicos, os sinais de alerta como a disfagia e as abordagens terapêuticas modernas.
Imagem Ilustrativa

O câncer de esôfago costuma evoluir de maneira silenciosa nas fases iniciais, razão pela qual é frequentemente diagnosticado em estágios avançados. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), figura entre os tumores mais incidentes na população masculina no Brasil. Reconhecer os fatores de risco e identificar precocemente os sinais de alerta é fundamental para buscar avaliação médica a tempo de realizar tratamentos com intenção curativa.

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O esôfago é o órgão tubular e muscular responsável por conduzir os alimentos da cavidade oral até o estômago. O tumor surge a partir do crescimento desordenado das células de sua camada mucosa interna, dividindo-se em dois tipos histológicos principais:

  •  •  Carcinoma Espinocelular (Epidermoide): Localiza-se predominantemente no terço superior e médio do esôfago. É o tipo mais frequente no Brasil, associado ao tabagismo e ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas;
  •  •  Adenocarcinoma: Desenvolve-se na porção distal do órgão, próximo à transição esofagogástrica. Está relacionado ao refluxo gastroesofágico crônico, ao esôfago de Barrett e à obesidade.

Fatores de risco e sinais de alerta

Muitos dos fatores predisponentes para o desenvolvimento do câncer de esôfago envolvem hábitos passíveis de modificação:

1 – Tabagismo e Álcool: A combinação de ambos multiplica o risco de tumores epidermoides;

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2 – Consumo de Bebidas em Alta Temperatura: Ingestão frequente de chás ou chimarrão excessivamente quentes provoca agressão térmica crônica à mucosa;

3 – Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e Esôfago de Barrett: A exposição contínua ao ácido gástrico pode induzir metaplasia intestinal na mucosa esofágica;

4 – Obesidade e Dieta: Acúmulo de gordura abdominal e baixa ingestão de frutas e hortaliças.

O sintoma cardeal da doença é a disfagia (dificuldade para engolir), que inicia com alimentos sólidos (como carnes e pães) e progride gradativamente para líquidos. Outros sinais incluem sensação de enganchamento do alimento no tórax, perda de peso involuntária, dor retroesternal, rouquidão persistente, anemia e fezes escurecidas (melena).

Diagnóstico, estadiamento e modalidades de tratamento

A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) com biópsia é o exame definitivo para confirmação diagnóstica e determinação do tipo histológico. Confirmada a neoplasia, o estadiamento é realizado por meio de tomografia computadorizada, PET-CT e ecoendoscopia (ultrassom endoscópico) para definir a profundidade da lesão e o acometimento de linfonodos regionais.

O plano terapêutico é estabelecido por uma equipe multidisciplinar (cirurgião oncológico, oncologista clínico, radioterapeuta e nutrólogo):

  •  •  Lesões Muito Iniciais: Podem ser tratadas por ressecção endoscópica;
  •  •  Doença Localmente Avançada: A conduta padrão envolve quimioterapia e/ou radioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia) seguida de esofagectomia — remoção cirúrgica do esôfago e linfonodectomia regional, com reconstrução da continuidade digestiva utilizando o estômago em forma de tubo. A cirurgia pode ser realizada por via aberta ou por técnicas minimamente invasivas (videolaparoscopia/videotoracoscopia ou cirurgia robótica);
  •  •  Doença Disseminada: Foco em tratamento sistêmico (quimioterapia e imunoterapia) e suporte nutricional/paliativo.

A prevenção envolve cessação do tabagismo e do álcool, moderação na temperatura de bebidas quentes, controle ponderal e o tratamento adequado do refluxo gastroesofágico crônico sob vigilância endoscópica.

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