A evolução da conscientização sobre a saúde mental tem transformado a maneira como os pacientes buscam ajuda, reduzindo o estigma histórico que afastava as pessoas dos consultórios psiquiátricos. Com mais de 25 anos de experiência clínica adquirida em prontos-socorros, hospitais psiquiátricos e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a Dra. Karine Cunha destaca que a psiquiatria moderna atua de forma preventiva e integrativa. Hoje, o paciente chega ao consultório mais informado, permitindo intervenções precoces que evitam a descompensação grave de quadros emocionais.
Uma das dúvidas mais frequentes na prática clínica é a distinção entre os profissionais da saúde mental. O tratamento de excelência frequentemente exige a atuação conjunta de ambas as áreas:
- • Psiquiatra: É o médico (com seis anos de graduação e residência médica/especialização) focado no diagnóstico clínico e no tratamento neurobiológico e químico dos transtornos mentais, sendo o único habilitado a prescrever medicamentos (psicofármacos).
- • Psicólogo: Profissional formado em Psicologia que atua por meio da psicoterapia (como a Terapia Cognitivo-Comportamental ou Psicanálise), auxiliando o paciente a identificar emoções, tratar pensamentos disfuncionais e modificar comportamentos.
Diagnóstico Clínico: Autismo e TDAH
Nos últimos anos, houve um aumento expressivo no número de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Esse fenômeno decorre da ampliação dos critérios diagnósticos internacionais e da maior disseminação de informações.
A Dra. Karine, coautora de livros voltados aos critérios e tratamentos dessas condições, reforça um ponto crucial: não existem exames laboratoriais ou de imagem (como tomografias ou ressonâncias) capazes de detectar o TEA ou o TDAH. O diagnóstico é estritamente clínico, fundamentado na observação comportamental contínua e nos critérios estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).
O Impacto das Telas e a Mudança no Perfil da Ansiedade
O período pós-pandemia marcou uma virada no perfil epidemiológico dos consultórios. Se antes era comum o diagnóstico de depressão pura, hoje a imensa maioria dos casos apresenta comorbidades, especialmente a associação entre depressão e transtornos ansiosos graves.
Embora a telemedicina tenha democratizado o acesso ao especialista, o distanciamento físico e a substituição do contato humano pelas telas têm gerado uma distorção da realidade. A perda do hábito da leitura profunda em favor do consumo rápido de vídeos afeta negativamente a capacidade de concentração e a higiene mental da população.
Desmistificando a Medicação Psiquiátrica
O preconceito em relação aos psicofármacos ainda é uma barreira, mas a farmacologia moderna oferece perfis de extrema segurança. Medicações para o TDAH (como metilfenidato, lisdexanfetamina e atomoxetina) e modernos antidepressivos transformam radicalmente a funcionalidade do paciente quando bem indicados. A introdução dos medicamentos é feita de forma lenta e gradual, visando auxiliar a reorganização da rotina e a resposta à psicoterapia, sem gerar dependência quando acompanhada por um médico especialista.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual a diferença entre psiquiatra e psicólogo? O psiquiatra é o médico que realiza o diagnóstico clínico e prescreve o tratamento medicamentoso para reequilibrar a química cerebral. O psicólogo realiza a psicoterapia, tratando as questões emocionais e comportamentais por meio do diálogo e técnicas específicas.
Existe exame de sangue ou ressonância para diagnosticar autismo? Não. O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e do TDAH é 100% clínico, baseado no histórico do paciente, observação de comportamento e preenchimento de critérios do manual DSM-5.
Por que os diagnósticos de TEA e TDAH aumentaram tanto? O aumento ocorre devido à ampliação do conceito e dos critérios diagnósticos (mais pessoas se enquadram no espectro atualmente) e ao maior acesso à informação, que leva as famílias a buscarem avaliação especializada mais cedo.
Remédio psiquiátrico vicia ou muda a personalidade? Não. Esse é um mito antigo. As medicações modernas são seguras e introduzidas gradativamente. Elas servem para organizar o funcionamento cerebral e reduzir o sofrimento, devolvendo a qualidade de vida ao paciente sem alterar sua essência.
Fonte:
Dra. Karine Cunha – Médica Psiquiatra
CRM-SP: 97.264 | RQE: 43.461
Graduada em Medicina pela UNIFESP (Escola Paulista de Medicina) e com residência em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria da USP (IPq-HC-FMUSP). Possui pós-graduação em Psiquiatria da Infância e Adolescência pelo Instituto Albert Einstein. Com mais de 25 anos de experiência, atende crianças, adolescentes, adultos e idosos, sendo especialista no manejo de transtornos de humor, ansiedade, TEA e TDAH. É coautora de livros voltados ao diagnóstico e tratamento medicamentoso no autismo e TDAH.
