A consolidação da medicina de precisão e a tomada de decisões na prática clínica contemporânea dependem intrinsecamente da qualidade, rapidez e assertividade do diagnóstico laboratorial. Segundo o Dr. Marco Zonta, presidente da Federação de Associações de Biomedicina (FASBIM) e conselheiro do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), dados e publicações científicas globais e nacionais apontam que os laudos e análises laboratoriais balizam entre 75% a 80% das condutas e terapêuticas médicas, desde a atenção básica até o diagnóstico de doenças raras e oncologia avançada.
Apesar de a biologia molecular, da genética e do sequenciamento genômico permitirem a identificação de riscos patológicos com anos de antecedência como o mapeamento de cepas oncogênicas do vírus HPV para prever o risco de câncer de colo do útero até uma década antes da lesão surgir, a acessibilidade a essas tecnologias permanece extremamente heterogênea. A difusão da ciência de dados e das novas metodologias diagnóstico-terapêuticas exige um esforço regulatório para que a inovação não seja restrita à medicina suplementar privada, mas sim incorporada de forma democrática como um direito constitucional no Sistema Único de Saúde (SUS).
O Programa Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL)
Para reestruturar o setor de análises clínicas no Brasil e combater as assimetrias regionais e econômicas, diversas entidades da saúde integraram forças para construir o Programa Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL). Idealizado sob a mentoria da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), o projeto reúne o apoio de órgãos de classe e associações como a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (ABRAMED), a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), o CFBM, a FASBIM e a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC/ML).
O PNDL tramita junto ao Ministério da Saúde e visa transformar-se em política pública nacional e legislação vigente. As diretrizes centrais do projeto estruturam-se em três eixos estratégicos:
• 1 – Equidade na Assistência: Garantir que o paciente dependente do SUS tenha acesso aos mesmos exames de biologia molecular, marcadores tumorais e sequenciamento genético oferecidos em centros hospitalares privados de excelência, reduzindo filas de espera e otimizando o diagnóstico precoce.
• 2 – Garantia de Qualidade Analítica: Criar parâmetros nacionais rigorosos de validação metodológica, certificação de qualidade e capacitação multiprofissional (médicos, biomédicos, farmacêuticos e biólogos), eliminando discrepâncias analíticas e reduzindo margens de erro de laudos.
• 3 – Sustentabilidade Operacional e Valorização Profissional: Oferecer suporte técnico, tecnológico e orçamentário para que laboratórios regionais de pequeno e médio porte consigam integrar redes avançadas de exames, garantindo remuneração justa às unidades e dignidade aos profissionais do setor.
A Atuação do Biomédico na Cadeia do Diagnóstico
A biomedicina consolidou-se como um dos eixos centrais na pesquisa clínica, inovação diagnóstica e desenvolvimento de insumos para a saúde no Brasil. O profissional biomédico atua no ciclo completo do processo analítico, desde a ideação do projeto de pesquisa, passando pela coleta, extração e análise do material biológico, até a emissão de relatórios técnicos e registros regulatórios junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A aprovação do PNDL visa criar um ecossistema sustentável no qual a prevenção primária substitua o tratamento moroso de doenças em estágio avançado. A aplicação da medicina personalizada em larga escala identificando genes de suscetibilidade, padrões proteicos e alterações Fisiopatológicas precoces representa um ganho substancial de sobrevida ao cidadão e um fator de redução de custos a médio e longo prazo para o orçamento público da saúde.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é o PNDL e qual o seu principal objetivo?
O Programa Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL) é uma iniciativa legislativa e de política pública que visa transformar o laboratório de análises em protagonista da saúde, garantindo acesso universal, equidade e alta tecnologia diagnóstica tanto no SUS quanto na rede privada.
Qual a porcentagem de decisões médicas que dependem de exames de laboratório?
Estudos nacionais e internacionais indicam que entre 75% e 80% das decisões clínicas e terapêuticas tomadas pelos médicos baseiam-se nos resultados e laudos fornecidos pelos exames laboratoriais.
Como a biologia molecular ajuda na prevenção do câncer de colo do útero?
Por meio de testes de DNA/PCR que identificam a presença de cepas do vírus HPV de alto risco oncogênico, permitindo mapear a probabilidade de desenvolvimento da doença até 10 anos antes do aparecimento das lesões celulares ou tumores.
Quais profissionais atuam na fase analítica do diagnóstico laboratorial?
O setor laboratorial depende de uma atuação multiprofissional qualificada que envolve biomédicos, médicos patologistas clínicos, farmacêuticos-bioquímicos e biólogos.
Fonte:
Dr. Marco Zonta – Biomédico
Presidente da Federação de Associações de Biomedicina (FASBIM), Conselheiro do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) e Presidente da Comissão de Inovação, Pesquisa Clínica e Desenvolvimento do CFBM. Liderança nacional no segmento de diagnósticos laboratoriais, gestão de políticas públicas de saúde, vigilância sanitária, inovação científica e consolidação da medicina de precisão no Brasil.
