Especialista em reprodução assistida detalha como as tecnologias de fertilização in vitro, inteligência artificial e congelamento de óvulos ampliam as chances de gravidez na maturidade.
Imagem Ilustrativa

O papel da mulher na sociedade moderna tem passado por profundas transformações, e o planejamento familiar acompanha essa evolução. Cada vez mais, a maternidade é adiada para a faixa dos 35, 38 ou 40 anos, período em que a fertilidade natural sofre uma queda biológica inevitável.

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Diante desse cenário, a medicina reprodutiva desenvolveu inovações tecnológicas capazes de contornar barreiras biológicas e oferecer novas perspectivas para casais e mulheres que desejam gestar. Dr. Alessandro Schuffner, uma das maiores referências em Medicina Reprodutiva no Brasil, com formação nos Estados Unidos, mestrado pela UFPR e ampla expertise em fertilidade feminina e masculina explicou quais são os principais avanços, os cuidados com a genética embrionária e os mitos em torno do congelamento de óvulos.

Os quatro pilares da fertilidade na maturidade

O sucesso de um tratamento de reprodução assistida não depende de um fator isolado. O Dr. Alessandro Schuffner compara o processo reprodutivo a uma mesa sustentada por quatro pés essenciais: o óvulo, o espermatozoide, o embrião e o endométrio.

1 – Qualidade e Quantidade de Óvulos: O envelhecimento ovariano reduz tanto o número quanto a qualidade genética dos óvulos. Medicamentos específicos são empregados para estimular suavemente os ovários, obtendo os melhores gametas possíveis.

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2 – Seleção Espermatozoidal: O relógio biológico também afeta os homens. Tecnologias laboratoriais avançadas permitem selecionar os melhores espermatozoides para o procedimento.

3 – Desenvolvimento e Seleção Embrionária: Atualmente, incubadoras de última geração e meios de cultura altamente qualificados otimizam o crescimento dos embriões. Além disso, ferramentas de inteligência artificial auxiliam na análise de imagens para selecionar o embrião com maior potencial de implantação.

4 – Receptividade Endometrial: O útero precisa estar preparado histologicamente para receber o embrião e garantir a fixação adequada da gestação.

Como a Fertilização in Vitro (FIV) e os testes genéticos atuam

A queda da fertilidade a partir dos 35 anos é um processo natural e irreversível por vias puramente nutricionais ou naturais. A única forma clínica de preceder essa queda é através da preservação da fertilidade (congelamento social de óvulos) em idades mais jovens ou do uso da Fertilização in Vitro (FIV).

Para mulheres acima dos 38 anos ou casais com histórico de doenças genéticas, os testes genéticos pré-implantacionais (PGT) desempenham um papel crucial. Como a taxa de alterações cromossômicas nos óvulos aumenta com a idade, a análise genética do embrião permite identificar e transferir apenas aqueles que não apresentam malformações cromossômicas, aumentando as taxas de sucesso e reduzindo o risco de abortamentos espontâneos.

Maternidade 40+: riscos e o acompanhamento obstétrico

Engravidar após os 36, 37 ou 40 anos eleva determinados riscos obstétricos, como o desenvolvimento de diabetes gestacional ou hipertensão arterial induzida pela gravidez (pré-eclâmpsia).

No entanto, o especialista reforça que esses riscos são perfeitamente gerenciáveis quando a paciente conta com um acompanhamento de pré-natal especializado e de alta vigilância. O planejamento médico rigoroso transforma a gestação tardia em um processo seguro tanto para a mãe quanto para o bebê.

O congelamento de óvulos: qual é a idade limite?

Embora o ditado popular afirme que “o melhor dia para congelar óvulos foi ontem, e o segundo melhor é hoje”, muitas mulheres questionam se existe uma idade máxima viável.

A resposta depende de uma avaliação individualizada da reserva ovariana. É possível congelar óvulos aos 39 ou 40 anos, mas a paciente deve ser informada de que a quantidade de ciclos (estímulos) necessária para acumular um pool seguro de óvulos com alta taxa de sucesso futura será maior do que se o procedimento tivesse sido realizado aos 30 ou 32 anos. Atualmente, algoritmos baseados em inteligência artificial ajudam a predizer a probabilidade de sucesso com base no número e na qualidade dos óvulos congelados, auxiliando o casal na tomada de decisão.

Perguntas frequentes sobre reprodução assistida (FAQ)

Existe um limite máximo de tentativas de FIV que uma mulher pode realizar?

Não há um limite estipulado por lei. O limite é estabelecido pelo desgaste físico, emocional, conjugal e financeiro do casal, além de condições clínicas restritivas avaliadas pelo médico (como a exaustão da resposta ovariana). O acompanhamento psicológico é fundamental durante o processo.

O congelamento de óvulos garante 100% de certeza de gravidez no futuro?

Nenhuma técnica de reprodução assistida oferece garantia absoluta de gravidez. O congelamento preserva os óvulos com a idade que a mulher tinha no momento da coleta, mas a taxa de sucesso depende de fatores como o número de óvulos armazenados e a receptividade uterina no momento da transferência.

O teste genético do embrião muda a qualidade do óvulo?

Não. O teste genético (biópsia embrionária) não altera ou melhora a qualidade biológica do embrião; ele apenas diagnostica quais embriões são saudáveis e livres de alterações cromossômicas, permitindo selecionar o melhor exemplar para a transferência.

Qual a diferença entre congelamento social e clínico de óvulos?

O congelamento social é realizado por escolha da mulher que deseja adiar a maternidade por motivos profissionais, pessoais ou por ainda não ter um parceiro. O congelamento clínico é indicado antes de tratamentos oncológicos (como quimioterapia ou radioterapia) ou cirurgias que possam comprometer a função ovariana.

Fonte:

Dr. Alessandro Schuffner – CRM-PR: 18822 | RQE: 21939

Mestre em Medicina pela UFPR, especialista em Reprodução Assistida com formação nos principais centros dos Estados Unidos. Atuação completa em ginecologia reprodutiva e andrologia, integrando cuidado clínico e investigação científica avançada.

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