O processo de envelhecimento facial e as oscilações bruscas de peso corporal provocam alterações estéticas e estruturais significativas na região periocular. Segundo a Dra. Lara El Andere, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO), a blefaroplastia inferior é a cirurgia plástica indicada para pacientes que apresentam excesso de bolsas de gordura, flacidez cutânea ou a combinação de ambos os fatores na pálpebra inferior. O procedimento visa restaurar o aspecto descansado do olhar, sem alterar a expressão natural do paciente.
Diferente do que muitos supõem, a idade cronológica não é o fator determinante para a indicação cirúrgica. Tanto pacientes jovens que possuem uma predisposição genética para o desenvolvimento precoce de bolsas, quanto indivíduos idosos podem se beneficiar da intervenção, desde que haja indicação clínica precisa. A anatomia palpebral inferior deve ser rigorosamente avaliada pelo especialista em oculoplástica para definir se o plano de tratamento exige a remoção de tecidos ou apenas o reposicionamento estrutural.
Um fenômeno crescente nos consultórios é a busca pela blefaroplastia inferior após processos de emagrecimento rápido, impulsionados por cirurgias bariátricas ou pelo uso de canetas emagrecedoras (análogos de GLP-1). A perda acentuada de peso provoca o esvaziamento do compartimento de gordura do terço médio da face (região das bochechas). Como as bolsas de gordura palpebrais possuem uma origem anatômica diferente e não diminuem com o emagrecimento, a perda de volume ao redor faz com que essas bolsas fiquem severamente projetadas e evidentes, tornando o aspecto cirúrgico ainda mais nítido.
Técnicas cirúrgicas: a via transconjuntival e a remoção de pele
A abordagem cirúrgica moderna prioriza a máxima preservação dos tecidos e a ausência de estigmas pós-operatórios. Na grande maioria dos casos em que o paciente apresenta apenas a protrusão das bolsas infladas, sem flacidez de pele associada, a Dra. Lara realiza a cirurgia por via transconjuntival. Nessa técnica, o cirurgião acessa e remove as bolsas de gordura através de uma incisão interna, feita na mucosa (conjuntiva) da pálpebra, o que elimina a necessidade de cortes externos e deixa o paciente totalmente sem cicatrizes na pele.
Nos casos em que o emagrecimento ou o envelhecimento geraram um excedente cutâneo, adota-se uma estratégia combinada:
- Acesso Transconjuntival: Utilizado prioritariamente para o esvaziamento ou reposicionamento seguro das bolsas de gordura internas.
- Técnica de Pinch (Pinçamento): Realiza-se a remoção cirúrgica de uma faixa milimétrica de pele excedente. A incisão é posicionada rente à linha dos cílios inferiores, resultando em uma cicatriz extremamente discreta e praticamente imperceptível após a maturação.
- Associação com Laser de CO2: Indicado para o tratamento de rugas finas e flacidez residual da pele que permanece na face após a cirurgia.
Existe um mito frequente de que a blefaroplastia isolada é capaz de esticar a pele a ponto de eliminar todas as rugas da região dos olhos. A especialista alerta que a cirurgia trata exclusivamente os excessos volumétricos (pele e bolsa). Para modificar a qualidade da pele, suavizar linhas de expressão e promover a neocolagênese (estímulo de colágeno), é fundamental associar o laser de CO2 fracionado. O disparo do laser atua nas camadas superficiais e profundas da pele remanescente, conferindo o refinamento estético que a lâmina do bisturi não consegue realizar.
Recuperação, pós-operatório e benefícios da cirurgia combinada
Quando o paciente apresenta sinais de envelhecimento ou flacidez tanto na pálpebra inferior quanto na superior, a recomendação clínica é realizar a blefaroplastia combinada (quadrifatorial) no mesmo ato cirúrgico. Centralizar os procedimentos em um único tempo cirúrgico otimiza o downtime (tempo de recuperação), permitindo que o paciente passe por apenas um período de repouso e edemas. Além disso, a abordagem global da região periocular — incluindo, quando necessário, a suspensão do supercílio (sobrancelha) — entrega um resultado estético muito mais harmônico, rejuvenescendo o olhar de forma simétrica.
O pós-operatório da blefaroplastia é caracterizado por ser um processo seguro e de evolução previsível. Pacientes que desempenham funções profissionais em regime de home office conseguem retomar suas atividades digitais poucos dias após o procedimento, desde que evitem esforços. O cronograma padrão de recuperação e acompanhamento clínico envolve:
- 07 a 10 Dias: Remoção dos pontos cirúrgicos (se houver incisão externa);
- 15 Dias: Absorção completa de hematomas e equimoses (manchas roxas);
- 30 Dias: Liberação médica para o retorno a atividades físicas intensas.
O repouso de um mês para a prática de exercícios físicos e musculação é mandatório para os pacientes que passaram pelo manejo das bolsas de gordura. O aumento da pressão arterial sistêmica durante treinos de força pode provocar sangramentos tardios ou comprometer a cicatrização interna da pálpebra. Respeitar as orientações do oftalmologista especialista em plástica ocular preserva a integridade funcional do olho, protege a córnea e garante a estabilidade de um resultado natural, refinado e duradouro.
Perguntas Frequentes sobre Blefaroplastia Inferior (FAQ)
As bolsas de gordura embaixo dos olhos diminuem se eu emagrecer? Não. As bolsas de gordura da pálpebra inferior possuem origem genética e estrutural diferente da gordura corporal. Se você emagrecer muito, a bochecha murcha e as bolsas de gordura ficam ainda mais visíveis e saltadas.
A cirurgia de blefaroplastia inferior deixa alguma cicatriz visível no rosto? Se o problema for apenas a bolsa de gordura, a cirurgia é feita por dentro do olho (via transconjuntival), sem nenhuma cicatriz externa. Se for preciso retirar pele, a cicatriz fica escondida bem rente à linha dos cílios, tornando-se imperceptível.
A blefaroplastia inferior é eficiente para sumir com os “pés de galinha” e rugas? Não. A blefaroplastia retira apenas o excesso de bolsa e pele. Para eliminar as rugas finas e melhorar a flacidez da pele que ficou, é necessário associar a cirurgia ao laser de CO2 fracionado, que estimula o colágeno.
Posso operar as pálpebras superiores e inferiores no mesmo dia? Sim, isso é altamente aconselhável. Fazer a blefaroplastia superior e inferior juntas garante que você passe por apenas um pós-operatório (downtime) e confere um resultado muito mais harmônico e rejuvenescido para todo o olhar.
Quanto tempo após a cirurgia de pálpebra posso voltar a fazer musculação? Para quem realizou a remoção de bolsas de gordura, o retorno às atividades físicas e treinos de força é permitido apenas após 30 dias de repouso. Esse cuidado é vital para evitar sangramentos e garantir a cicatrização correta.
Fonte:
Dra. Lara El Andere – Oftalmologista e Especialista em Plástica Ocular
CRM-SP: 162034 | RQE: 77465
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO). Subespecializada em Oculoplástica, dedica sua prática clínica e cirúrgica à região dos olhos e anexos palpebrais. Reconhecida pela aplicação de técnicas avançadas e refinamento estético, prioriza resultados naturais, o rejuvenescimento do olhar e a segurança da função visual no estado de São Paulo.
