No Brasil, estima-se que cerca de 8 milhões de mulheres enfrentem a endometriose, de acordo com informações do Ministério da Saúde divulgadas pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). A entidade também destaca que a doença está frequentemente relacionada à infertilidade, que pode afetar entre 30% e 50% das mulheres com endometriose.
A cólica menstrual pode fazer parte do ciclo de muitas mulheres, mas quando a dor é intensa, recorrente ou começa a interferir na rotina, é importante investigar sua causa. A endometriose está entre as condições que podem provocar esse tipo de sintoma.
Recebemos a seguinte pergunta de Juliana Ferreira, de Porto Alegre (RS), no nosso Direct no Instagram:
“Sentir muita cólica todo mês pode ser sinal de endometriose?”
A ginecologista Dra. Vanessa Cairolli explica que a dor menstrual pode variar de acordo com diferentes fatores, mas a repetição do quadro em praticamente todos os ciclos merece atenção.
https://youtu.be/PhoxPtXbPSY
Toda cólica menstrual significa endometriose?
Não.
A cólica pode acontecer durante o período menstrual sem necessariamente indicar a presença de uma doença.
Segundo Dra. Vanessa, fatores relacionados à rotina, alimentação, qualidade do sono e ao próprio funcionamento do organismo podem influenciar a intensidade da dor em determinados ciclos.
Por isso, sentir cólica ocasionalmente não significa automaticamente que exista endometriose.
O Ministério da Saúde também destaca que nem toda cólica forte é sinal da doença e que somente uma avaliação médica pode determinar se existe suspeita de endometriose.
Quando a cólica pode levantar suspeita de endometriose?
Um dos principais pontos de atenção é a recorrência da dor.
“Quando existe constância, quando em todos os ciclos a mulher apresenta dor, isso precisa ser investigado. Existe uma suspeita importante de endometriose quando temos dor em todos os ciclos menstruais”, explica Dra. Vanessa.
Além da frequência, a intensidade e o impacto da cólica na rotina também precisam ser considerados.
Cólicas que fazem a mulher faltar ao trabalho ou aos estudos, interromper atividades cotidianas ou depender frequentemente de medicamentos para conseguir realizar tarefas merecem avaliação ginecológica.
A FEBRASGO aponta as cólicas menstruais incapacitantes, especialmente aquelas que não apresentam melhora adequada com analgésicos e interferem nas atividades habituais, entre os sintomas mais comuns da endometriose.
Quais outros sintomas podem estar relacionados à endometriose?
A dor durante a menstruação é um dos sinais mais conhecidos, mas não é o único.
Segundo informações do Ministério da Saúde e da FEBRASGO, a endometriose também pode estar associada a sintomas como:
- • dor pélvica persistente;
- • dor durante as relações sexuais;
- • dificuldade para engravidar;
- • dor ou alterações ao evacuar durante o período menstrual;
- • dor ou alterações urinárias relacionadas ao ciclo;
- • cólicas menstruais intensas ou incapacitantes.
A intensidade dos sintomas pode variar bastante. Existem mulheres com manifestações importantes da doença e outras que apresentam poucos sintomas ou até permanecem assintomáticas.
Ter cólica todo mês significa que a mulher tem endometriose?
Não necessariamente.
A presença de cólicas recorrentes aumenta a necessidade de investigação, mas não é suficiente para estabelecer o diagnóstico.
A avaliação deve considerar o histórico da paciente, características da dor, exame clínico e, quando necessário, exames de imagem específicos.
Por isso, a recomendação é não normalizar uma dor que se repete de forma intensa mês após mês.
Para Dra. Vanessa, perceber esse padrão é justamente um dos motivos para conversar com um ginecologista e entender a origem dos sintomas.
Endometriose pode afetar a fertilidade?
Sim, embora isso não aconteça com todas as pacientes.
A FEBRASGO estima que entre 30% e 50% das mulheres com endometriose podem apresentar infertilidade. A condição inflamatória provocada pela doença pode alterar o ambiente pélvico e, dependendo da localização e extensão das lesões, comprometer estruturas relacionadas à fertilidade.
Isso não significa que toda mulher com endometriose será infértil. O Ministério da Saúde ressalta que a condição pode dificultar a gravidez, mas muitas mulheres conseguem engravidar, com ou sem tratamento específico para fertilidade.
Quando procurar um ginecologista?
A cólica não deve ser analisada apenas pela existência da dor, mas principalmente por sua frequência, intensidade e impacto na qualidade de vida.
Se a mulher sente dor importante em praticamente todos os ciclos menstruais, apresenta piora progressiva dos sintomas ou percebe que a cólica está limitando suas atividades, é indicado procurar avaliação ginecológica.
Ter cólicas fortes todos os meses não confirma endometriose, mas é um sinal que merece investigação. Quanto mais persistente e incapacitante for a dor, maior a importância de buscar avaliação médica para identificar a causa.
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Colaboração:
Dra. Vanessa Cairolli – Ginecologista
CRM-SP: 83708 | RQE: 56593
Dra. Vanessa Cairolli é médica ginecologista e obstetra, com atuação voltada à saúde feminina integral. Sua atuação reúne ginecologia, acompanhamento da transição hormonal, fisiologia hormonal, nutrologia e medicina preventiva, com foco no cuidado individualizado da mulher em diferentes fases da vida.
