A oftalmologista e especialista em plástica ocular Dra. Lara El Andere explica as peculiaridades estruturais dos olhos orientais e os benefícios da cirurgia a laser.

A cirurgia plástica das pálpebras, ou blefaroplastia, exige do cirurgião um conhecimento profundo das variações anatômicas entre diferentes etnias. Segundo a Dra. Lara El Andere, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO), a blefaroplastia em orientais é um dos procedimentos mais delicados da oculoplástica. O objetivo central da cirurgia moderna não é ocidentalizar o olhar, mas sim valorizar os traços nativos, remover excessos que causam o aspecto cansado e preservar integralmente a identidade cultural do paciente.

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A arquitetura palpebral asiática possui características genéticas exclusivas que a diferenciam da anatomia ocidental. A pele das pálpebras orientais tende a ser mais firme e espessa, e o sulco palpebral (a famosa “preguinha” que separa a pálpebra móvel da fixa), quando existe, localiza-se em uma posição anatomicamente mais baixa. Além disso, as bolsas de gordura palpebrais são distribuídas de forma mais espalhada e densa, conferindo um aspecto naturalmente mais preenchido ou “inchadinho” à região dos olhos.

A busca pelo procedimento divide-se em dois perfis geracionais distintos. Mulheres jovens, na faixa dos 20 a 30 anos, procuram a intervenção prioritariamente para a confecção do sulco palpebral ausente, visando facilitar a aplicação de maquiagem no dia a dia. Já o público por volta dos 40 anos de idade recorre à cirurgia para o gerenciamento do envelhecimento, buscando corrigir o caimento dos tecidos, eliminar o peso sobre os cílios e tratar as bolsas de gordura proeminentes na pálpebra inferior.

Avanços tecnológicos: via transconjuntival e o laser de CO2

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A evolução dos equipamentos cirúrgicos transformou a blefaroplastia em um procedimento minimamente invasivo e de rápida recuperação. Na abordagem da pálpebra inferior, quando não há necessidade de remoção de flacidez de pele, a Dra. Lara utiliza a via transconjuntival. Nessa técnica, o acesso para a retirada das bolsas de gordura é realizado por dentro do olho, na mucosa conjuntival, eliminando completamente a presença de cicatrizes externas visíveis na face.

Para maximizar a retração da pele e otimizar os resultados, a tecnologia atua em duas frentes distintas:

  • Ponteira Cirúrgica de Laser de CO2: Atua substituindo o bisturi tradicional na mão do cirurgião. O laser realiza a incisão e a remoção dos tecidos promovendo a cauterização imediata dos vasos sanguíneos, o que reduz drasticamente o sangramento, o edema (inchaço) e as equimoses (roxos) no pós-operatório.
  • Ponteira Estética Fracionada (Full Face): Aplicada ao final da cirurgia com o paciente ainda sob efeito de sedação. O laser faz um disparo em malha sobre a superfície total do rosto e pescoço, provocando microlesões térmicas controladas que estimulam a neocolagênese (produção de colágeno novo) para suavizar rugas finas e melhorar a textura da pele.

A associação das tecnologias garante que o paciente usufrua dos benefícios estéticos e funcionais sem sentir dor durante a aplicação do laser de CO2, uma vez que o procedimento é realizado sob sedação assistida por anestesista em ambiente seguro.

Segurança anatômica e durabilidade dos resultados

Por apresentar uma pele mais firme e com maior tensão estrutural, a manipulação da pálpebra superior oriental requer precisão cirúrgica extrema. Remover pele além do limite seguro pode comprometer a funcionalidade do olho, gerando complicações graves como o lagoftalmo (incapacidade de fechar os olhos completamente), o que expõe a córnea a ressecamentos crônicos. A atuação do especialista em oculoplástica garante que a integridade ocular seja blindada em primeiro lugar, avaliando se a flacidez em idosos já causa prejuízo de campo visual.

A durabilidade da blefaroplastia é altamente variável e depende da interação entre a herança genética e o estilo de vida do paciente. Indivíduos que realizam a cirurgia muito jovens podem necessitar de um retoque cirúrgico após 10 ou 15 anos devido ao envelhecimento cronológico natural dos tecidos. No entanto, o público oriental costuma apresentar resultados consideravelmente mais longevos, beneficiados pela excelente densidade de colágeno nativa de sua pele e por hábitos de vida saudáveis consolidados.

O pós-operatório bem-sucedido exige uma abordagem multidisciplinar e continuada. Após a retirada dos pontos, o paciente é direcionado a manter o acompanhamento com um dermatologista para estruturar uma rotina de fotoproteção rigorosa e tratamentos de manutenção na qualidade da pele. Adotar essas medidas preventivas freia a degradação das fibras elásticas ao redor dos olhos, potencializa o estímulo gerado pela cirurgia e prolonga o aspecto de olhar descansado e rejuvenescido por muitos anos.

Perguntas Frequentes sobre Blefaroplastia Oriental (FAQ)

A cirurgia de blefaroplastia em orientais serve para “ocidentalizar” o olho? Não. A técnica moderna foca em preservar os traços étnicos do paciente. O objetivo é criar ou reposicionar a preguinha da pálpebra (sulco palpebral) de forma natural e sutil, sem apagar a identidade e a harmonia facial asiática.

O que é a blefaroplastia transconjuntival e qual a sua vantagem? É a técnica onde o cirurgião remove as bolsas de gordura inferiores através de um acesso por dentro da pálpebra (pela conjuntiva). A grande vantagem é que o procedimento não deixa nenhuma cicatriz externa na pele do paciente.

Como o laser de CO2 ajuda na cirurgia plástica das pálpebras? O laser atua como um bisturi de alta precisão que corta e corta cauterizando os vasos ao mesmo tempo. Isso reduz o sangramento durante o ato cirúrgico, resultando em um pós-operatório com menos roxos, menos inchaço e recuperação mais rápida.

Existe o risco de o olho não fechar após a blefaroplastia? Sim, se a retirada de pele for feita em excesso. Por isso, a cirurgia deve ser realizada por um médico especialista em plástica ocular, que conhece os limites milimétricos da pálpebra para proteger a córnea e a visão.

A cirurgia de pálpebra dura para sempre ou a pele volta a cair? Os resultados duram bastante tempo (geralmente mais de 10 a 15 anos), mas o envelhecimento do corpo continua. Manter uma rotina de cuidados com a pele e fazer tratamentos para estímulo de colágeno ajuda a prolongar os efeitos da cirurgia.

Fonte:

Dra. Lara El Andere – Oftalmologista e Especialista em Plástica Ocular

CRM-SP: 162034 | RQE: 77465.

Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO). Subespecializada em Oculoplástica, dedica sua prática clínica e cirúrgica à região dos olhos e anexos palpebrais. Reconhecida pela aplicação de técnicas avançadas e refinamento estético, prioriza resultados naturais, o rejuvenescimento do olhar e a segurança da função visual no estado de São Paulo.

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