O oftalmologista Dr. Daniel Kamlot explica os riscos da pressão alta para a visão e a importância do exame de fundo de olho preventivo.

A pressão arterial alta e mal controlada compromete todo o sistema cardiovascular, incluindo os delicados vasos sanguíneos dos olhos. Segundo o Dr. Daniel Kamlot, picos hipertensivos podem causar desde um simples derrame na parte branca do olho até o que ele chama de “AVC no fundo do olho”.

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Essas alterações podem levar a oclusões vasculares na retina, resultando em edema macular (inchaço na área central da visão) ou isquemia. O diagnóstico precoce é vital para evitar quadros graves como sangramentos internos, descolamento de retina e até o glaucoma neovascular.

Muitas vezes, a visão é o primeiro lugar onde os danos da hipertensão se tornam visíveis. Por isso, a integração entre cardiologistas e oftalmologistas é essencial para classificar o grau da retinopatia hipertensiva e ajustar o tratamento sistêmico do paciente.

O papel do mapeamento de retina e exames de rotina

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O exame de fundo de olho e o mapeamento de retina devem fazer parte da consulta oftalmológica de rotina de todo hipertenso. Através deles, o médico identifica o cruzamento patológico dos vasos e o comprometimento do nervo óptico.

A recomendação para pacientes com pressão alta é realizar essa avaliação pelo menos uma vez por ano. O objetivo é detectar lesões leves ou moderadas antes que evoluam para uma perda visual irreversível ou complicações que exijam intervenções complexas.

Além disso, o oftalmologista atua como um “rastreador”: ao identificar uma oclusão vascular inesperada, o paciente é encaminhado ao cardiologista para investigar possíveis picos hipertensivos desconhecidos, agindo de forma preventiva para a saúde geral.

Tratamentos e reversibilidade de danos oculares

Quando ocorrem complicações como o edema macular, o tratamento pode envolver o uso de antiangiogênicos e corticoides para reduzir o líquido e recuperar a visão. Entretanto, casos de isquemia severa podem deixar sequelas permanentes.

Em situações onde a isquemia é extensa, utiliza-se a fotocoagulação a laser. Esse procedimento não visa necessariamente recuperar a visão perdida, mas sim destruir áreas sem circulação para impedir o surgimento de novos vasos que causam hemorragias e cegueira.

A abordagem é sempre personalizada: se o dano for apenas um inchaço, há grandes chances de reversão do quadro. Se houver morte tecidual (isquemia), o foco passa a ser o controle de danos para preservar o restante da capacidade visual do paciente.

Perguntas Frequentes sobre Hipertensão Ocular (FAQ)

A pressão alta pode causar cegueira definitiva? Sim. Se não houver controle, a hipertensão pode causar glaucoma neovascular, descolamento de retina ou isquemias graves que levam à perda total da visão.

A mancha de sangue no olho é sinal de pressão alta? Pode ser. O derrame na parte branca do olho (hiposfagma) é um sinal de alerta frequente que exige a verificação imediata da pressão arterial, embora geralmente não seja grave para a visão.

O que é a retinopatia hipertensiva? É o conjunto de alterações nos vasos sanguíneos da retina causadas pela hipertensão crônica. Ela é classificada em graus (leve, moderada e grave) para orientar o tratamento médico.

O tratamento para o “AVC no olho” é reversível? Depende da extensão. Edemas (inchaços) costumam responder bem a medicamentos, mas a isquemia (falta de sangue) pode gerar sequelas permanentes, exigindo laser para evitar complicações maiores.

Com que frequência o hipertenso deve ir ao oftalmologista? O paciente hipertenso deve passar por avaliação oftalmológica completa com mapeamento de retina pelo menos uma vez por ano, ou conforme a orientação específica de seu cardiologista.

Fonte:

Dr. Daniel Kamlot – CRM-SP: 137622 | RQE: 37044

O Dr. Daniel Kamlot é médico oftalmologista com título de especialista pela CBO, Membro da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV), sólida trajetória acadêmica e clínica, Com formação em instituições de prestígio como Instituto Benjamin Constant e USP (especialista em Retina), ele combina décadas de experiência com uma atuação ativa na educação médica, participando de palestras e conferências em todo o Brasil. Sua presença frequente em programas de TV e eventos científicos o consolida como uma referência em tratamentos de alta complexidade ocular.

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