O especialista em reprodução assistida Dr. Alessandro Schuffner explica as principais indicações para o congelamento de óvulos e como funciona a técnica na prática.
Congelamento de óvulos: como funciona a preservação da fertilidade

O congelamento de óvulos é uma das tecnologias mais importantes da medicina reprodutiva, permitindo a preservação da fertilidade feminina. Segundo o Dr. Alessandro Schuffner, o procedimento divide-se em duas grandes frentes: o congelamento social (responsável por cerca de 80% dos casos) e o congelamento oncológico (indicado para pacientes em tratamento contra o câncer).

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A quantidade e a qualidade dos óvulos sofrem uma queda acentuada a partir dos 35 aos 38 anos. Por isso, o congelamento social tornou-se uma ferramenta de empoderamento, permitindo que a mulher adie a maternidade para focar nos estudos, na carreira ou na busca por um parceiro ideal, sem a pressão do relógio biológico.

O óvulo congelado mantém a qualidade da idade em que foi coletado por tempo indeterminado. Além disso, o processo garante flexibilidade geográfica: a regulamentação atual da ANVISA permite o transporte seguro do material biológico por empresas credenciadas entre cidades, estados e até para o exterior.

Como funciona o processo de congelamento na prática?

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O procedimento em si é seguro, rápido e monitorado por exames laboratoriais e de imagem. No contexto social, o tratamento é planejado e inicia-se nos primeiros dias do ciclo menstrual através do estímulo da ovulação por meio de medicação hormonal.

A rotina de acompanhamento segue etapas bem definidas:

  • Estimulação Ovarina: Aplicação de medicamentos por cerca de 10 a 12 dias com monitoramento via ultrassom.
  • Aspiração Folicular: Coleta dos óvulos realizada no 14º dia do ciclo sob anestesia leve (sedação), sem dor para a paciente.
  • Análise com Inteligência Artificial: Uso de softwares avançados para fotografar os óvulos e predizer a taxa futura de gravidez.

Se o relatório de inteligência artificial apontar uma taxa de sucesso abaixo do desejado pela paciente, ela pode optar por realizar um novo ciclo de estímulo imediatamente para acumular mais óvulos, garantindo maior segurança para o futuro.

Gravidez na menopausa e o estímulo oncológico de urgência

Uma das grandes vantagens da técnica é a plasticidade do útero. Uma mulher que congelou óvulos aos 30 anos pode gestar perfeitamente aos 45 ou 50 anos, mesmo já estando na menopausa, desde que seu estado clínico geral de saúde esteja bem controlado e livre de riscos como hipertensão ou diabetes grave.

Já para pacientes com diagnóstico de câncer, o processo muda e adota a chamada estimulação de urgência. Nesses casos, o médico não aguarda a menstruação da paciente: o estímulo começa imediatamente, independente da fase do ciclo, durando entre 7 e 11 dias para não atrasar o início da quimioterapia ou radiografia.

Essa abordagem multidisciplinar entre o oncologista e o especialista em reprodução assistida avalia a segurança do processo. Quando o tumor é receptor hormonal e impede o estímulo, a equipe médica direciona os cuidados para proteger o organismo, visando evitar uma menopausa precoce decorrente do tratamento oncológico.

Perguntas Frequentes sobre Congelamento de Óvulos (FAQ)

Até qual idade é recomendado congelar os óvulos? O ideal é realizar o congelamento antes dos 35 anos, período em que a mulher apresenta uma reserva ovariana com maior quantidade e melhor qualidade genética de óvulos.

O óvulo congelado perde a qualidade com o passar dos anos? Não. O óvulo fica preservado em nitrogênio líquido e mantém exatamente a mesma qualidade do dia em que foi extraído, independente se for utilizado 10 ou 15 anos depois.

É possível engravidar após a menopausa com óvulos próprios? Sim, desde que os óvulos tenham sido congelados previamente. O útero mantém a capacidade de receber o embrião após o preparo hormonal, mesmo anos após a menopausa.

O que é o congelamento oncológico de urgência? É o estímulo iniciado a qualquer momento do ciclo da paciente com câncer para coletar óvulos antes da quimioterapia, garantindo que o tratamento contra o tumor não seja atrasado.

Como a Inteligência Artificial ajuda na reprodução assistida? A IA analisa imagens dos óvulos capturados e gera um relatório detalhado que prevê as taxas reais de sucesso de uma gravidez futura, ajudando a decidir se um novo ciclo é necessário.

Fonte:

Dr. Alessandro Schuffner – Reprodução Assistida | CRM-PR: 18822 / RQE: 21939

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) com especialização em centros de excelência em reprodução humana nos Estados Unidos. Referência nacional em ginecologia reprodutiva, andrologia e tratamentos de alta complexidade para infertilidade masculina e feminina.

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