A inteligência artificial está transformando rapidamente a rotina dos estabelecimentos de saúde no Brasil. De acordo com o levantamento TIC Saúde 2025, realizado pelo Cetic.br, 18% das unidades de saúde do país já utilizam algum tipo de inteligência artificial em suas operações.
O avanço é liderado pelo setor privado, que registra uma taxa de adoção de 25%, ao passo que a rede pública alcança 11%. Um dado que chama a atenção é a porta de entrada dessa tecnologia: em vez de sistemas proprietários complexos, 76% dos locais que utilizam IA recorrem a ferramentas populares do dia a dia, como o ChatGPT e o Gemini, para otimizar fluxos de processos clínicos, administrativos e de segurança digital.
Apesar de barreiras como o custo elevado e a escassez de mão de obra especializada, a infraestrutura digital brasileira mostra maturidade: 92% dos estabelecimentos já abandonaram o papel, operando integralmente com prontuários e registros eletrônicos.
Diante desse cenário de expansão, o Conselho Federal de Medicina (CFM) estabeleceu as primeiras normas para o uso de IA no setor, determinando que a decisão final e a responsabilidade pelo ato médico devem ser sempre humanas. Para Elemar Júnior, especialista em tecnologia e CEO da eximia.co, essa regulamentação é fundamental para balizar os limites éticos e jurídicos da inovação.
Responsabilidade jurídica e o papel do “coadjuvante de luxo”
Para Elemar Júnior, a inteligência artificial deve atuar como uma ferramenta de apoio de alto desempenho um verdadeiro “coadjuvante de luxo”, mas jamais assumir o peso das decisões clínicas ou a assinatura no prontuário do paciente.
O especialista ressalta que o médico assume total responsabilidade legal pelos atos praticados, sendo inadmissível transferir a culpa de um diagnóstico equivocado ou de um tratamento malsucedido para um algoritmo.
“O ponto mais importante é a questão da responsabilidade. Um médico não pode utilizar a inteligência artificial e depois culpá-la por um eventual erro. Como a responsabilidade é sempre do profissional, a decisão final também tem que ser dele”, pontua o executivo.
O “feeling” humano: o que a IA não consegue replicar
Embora os modelos de linguagem e os sistemas de aprendizado de máquina sejam imbatíveis na leitura e no processamento de volumes massivos de dados em frações de segundo, eles operam estritamente sobre informações estruturadas e pré-existentes.
Para Elemar Júnior, a tecnologia ainda carece do elemento mais sensível da prática médica: a intuição amparada pela experiência viva, conhecida como o feeling clínico.
“Nada substitui a experiência. O médico tem uma percepção que é tácita e não explícita. Ele consegue tomar decisões e perceber problemas com dados que ele ainda nem tem em mãos, enquanto a IA faz análises apenas em cima do que já possui”, explica o especialista.
Enquanto a transformação digital otimiza a triagem, reduz custos administrativos e acelera a análise de exames, a fusão entre o rigor tecnológico e a sensibilidade humana consolida-se como o único caminho seguro para o futuro da medicina brasileira.
Perguntas frequentes sobre IA na saúde (FAQ)
Quais são as ferramentas de IA mais utilizadas pelos hospitais brasileiros?
Segundo a pesquisa TIC Saúde 2025, 76% dos estabelecimentos que adotam IA utilizam ferramentas generalistas e populares de inteligência artificial, como o ChatGPT e o Gemini, aplicadas principalmente à organização de processos administrativos e clínicos.
O que diz o CFM sobre o uso de inteligência artificial por médicos?
O Conselho Federal de Medicina estabeleceu regras determinando que o uso de sistemas de IA na medicina tem caráter estritamente subsidiário. A autonomia profissional e a responsabilidade civil e ética sobre o diagnóstico e a conduta terapêutica pertencem inteiramente ao médico.
A inteligência artificial pode substituir o diagnóstico de um médico especialista?
Não. Embora a IA possa identificar padrões complexos em exames de imagem e dados laboratoriais com grande velocidade, ela carece de empatia, contexto holístico e intuição clínica (feeling), elementos essenciais para uma avaliação médica personalizada.
Quais são os principais desafios para a expansão da IA na saúde pública?
Além dos custos de implementação de infraestrutura tecnológica avançada, o setor enfrenta grandes barreiras relacionadas à segurança de dados sensíveis de pacientes e à falta de profissionais capacitados para operar e auditar algoritmos médicos.

Fonte:
Elemar Júnior – Especialista em Tecnologia
CEO e fundador da eximia.co (desde 2016). Com mais de três décadas de experiência em arquitetura de software e transformação digital, atua como consultor estratégico para gigantes do mercado financeiro e industrial, além de mentor de executivos.
