Neste artigo detalho a perda de massa muscular, a queda da taxa metabólica basal e a manutenção do peso por 12 meses.
Imagem Ilustrativa

A busca pelo emagrecimento envolve o uso de diversas ferramentas terapêuticas, como farmacoterapia (canetas emagrecedoras análogas de GLP-1/GIP), balão intragástrico, cirurgia bariátrica ou mudanças no estilo de vida. Contudo, o grande desafio da gastroenterologia e da nutrologia não é apenas a perda ponderal inicial, mas o reganho de peso (efeito sanfona ou rebote).

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Em entrevista ao apresentador Salatiel Araújo explico os mecanismos fisiológicos do reganho de peso, o papel da massa muscular e o conceito do set point metabólico.

O mecanismo fisiológico do reganho e o papel do músculo

A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica e recidivante. Quando o processo de emagrecimento ocorre de forma desestruturada sem aporte proteico adequado, sem reabilitação nutricional e sem exercício de força (musculação), o paciente perde gordura, mas também perde volume expressivo de massa magra (sarcopenia induzida):

Mitocôndrias e Taxa Metabólica Basal (TMB): Dentro do tecido muscular encontram-se as mitocôndrias, organelas celulares responsáveis pela produção de energia. A perda de massa muscular reduz drasticamente a taxa metabólica basal a quantidade de calorias que o corpo gasta em repouso para manter funções vitais (como batimentos cardíacos e respiração);

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O Efeito Rebote: Com um metabolismo de repouso desacelerado, dietas que antes promoviam perda de peso passam a gerar superávit calórico. O organismo recupera gordura de forma acelerada, elevando o estresse oxidativo e a inflamação sistêmica.

Preparar o “terreno biológico” e a memória metabólica (12 meses)

Para obter um emagrecimento saudável e sustentável, oriento que o tratamento clínico deve focar no equilíbrio do organismo antes e durante o uso de ferramentas emagrecedoras:

Correção de Micronutrientes e Marcadores Inflamatórios: Pacientes com obesidade frequentemente apresentam estado de inflamação crônica de baixa intensidade (avaliado por exames como ferritina e proteína C reativa) e desnutrição funcional (carência de vitaminas D, B12, C, A e minerais). Adequar o “terreno biológico” otimiza o metabolismo;

Gordura x Músculo (Bioimpedância): O foco da balança deve ser substituído pela análise da composição corporal. Reduzir a porcentagem de gordura e aumentar a massa muscular eleva a TMB, facilitando a manutenção da perda ponderal;

A Regra dos 12 Meses (Set Point): O organismo humano tende a buscar a média de peso dos últimos 12 meses. Ao atingir a meta de emagrecimento, é indispensável manter o acompanhamento médico e da equipe multidisciplinar (nutricionista, preparador físico e psicólogo) por pelo menos um ano para que o cérebro consolide o novo patamar metabólico.

Publicidade
Publicidade