A dor crônica é aquela que persiste por mais de três a seis meses, ultrapassando o tempo esperado de cura de uma lesão. Segundo o Dr. Fábio Pinto, o sistema nervoso pode continuar enviando sinais de dor ao cérebro mesmo após a cicatrização dos tecidos, tornando a condição uma doença em si, e não apenas um sintoma.
Essa realidade impacta diretamente a saúde mental, sendo comum a associação com quadros de depressão, ansiedade e isolamento social. O especialista ressalta que o tratamento deve ser multidisciplinar, unindo a ortopedia ao acompanhamento psicológico ou psiquiátrico para garantir a motivação e o sucesso terapêutico.
Como a dor é subjetiva e não aparece em exames de imagem comuns, o diagnóstico exige uma escuta atenta do médico. O foco deve estar na funcionalidade do paciente e na diferenciação entre dores nociceptivas, neuropáticas e nociplásticas (como a fibromialgia).
Quais são os tratamentos modernos para dor crônica?
A evolução da medicina trouxe técnicas minimamente invasivas e medicações específicas que atuam diretamente no sistema nervoso. O uso de ultrassom em consultório permite que o médico realize bloqueios e infiltrações com precisão milimétrica no foco da dor.
O Dr. Fábio Pinto destaca novas fronteiras terapêuticas, como a cannabis medicinal, que tem se mostrado uma realidade eficaz e com custo cada vez mais acessível. Além disso, as cirurgias de próteses (artroplastias) evoluíram para permitir que o paciente caminhe já no dia seguinte ao procedimento.
O sucesso a longo prazo, entretanto, depende da mudança de hábitos. Dietas anti-inflamatórias (com baixo consumo de açúcar e laticínios) e a prática de exercícios físicos direcionados são pilares fundamentais para desensibilizar o cérebro e reduzir o sofrimento crônico.
O impacto da fibromialgia e o reconhecimento legal
A fibromialgia é um exemplo clássico de dor nociplástica, afetando cerca de 3% da população, majoritariamente mulheres. Além da dor disseminada, o quadro envolve fadiga extrema, dificuldades de concentração (“fibro fog”) e alterações intestinais.
Devido à gravidade e ao impacto na capacidade produtiva, pacientes com fibromialgia agora possuem direitos assegurados por lei no Brasil. Eles são considerados portadores de deficiência para fins de benefícios, isenções de impostos e licenças.
Essa conquista legal reflete a compreensão médica de que a dor crônica não é “emocional”, mas sim uma disfunção real dos neurotransmissores cerebrais que exige respeito, diagnóstico preciso e suporte governamental e familiar constante.
Perguntas Frequentes sobre Dores Crônicas (FAQ)
Qual é a diferença entre dor aguda e dor crônica? A dor aguda é um sinal de alerta de uma lesão recente (como uma fratura). A dor crônica persiste por mais de 3 meses, tornando-se uma condição persistente do sistema nervoso.
Existe algum exame que mede a intensidade da dor? Não. A dor é subjetiva. Exames de imagem diagnosticam causas (como hérnias ou artrose), mas a intensidade da dor depende do relato do paciente e da avaliação clínica do especialista.
O que é dor nociplástica e como ela se manifesta? É uma dor causada pela alteração no processamento dos sinais nervosos, como na fibromialgia. O cérebro responde à dor mesmo sem uma lesão física visível no local que dói.
O uso de cannabis medicinal é seguro para tratar dor? Sim, quando prescrito por médicos capacitados. A cannabis medicinal atua no sistema endocanabinoide, auxiliando no controle da dor crônica com menos efeitos colaterais que alguns opioides.
Por que o exercício físico é recomendado para quem tem dor? O exercício libera substâncias naturais que combatem a inflamação e ajudam a “reprogramar” o cérebro, reduzindo a sensibilidade dolorosa e melhorando a mobilidade articular.
Fonte:
Dr. Fábio Pinto – CRM: 58082 – RQE 115076 (ortopedia)
Dr. Fabio Carlos Nobrega Pinto é médico ortopedista, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia desde 1991. Formado em medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP em 1986 e com residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Crianças da Faculdade de Medicina USP em 1990.
