Dor nas costas, dificuldade para pegar objetos mais pesados, para se locomover e até mesmo para trabalhar estão entre os sintomas e consequências que podem estar relacionados à hérnia de disco. De acordo com dados históricos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a hérnia de disco afeta cerca de 5,4 milhões de brasileiros, estatística está oficialmente divulgada e veiculada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Apesar do impacto que a condição pode provocar na rotina, receber o diagnóstico de hérnia de disco não significa necessariamente que o paciente precisará passar por uma cirurgia.
Recebemos a seguinte pergunta de Marcelo Henrique, de Vitória (ES), no nosso Direct no Instagram:
“Toda hérnia de disco pode precisar de cirurgia?”
O neurocirurgião Dr. Mateus Tomaz explica que a maioria dos casos pode evoluir bem com tratamentos conservadores, sem a necessidade de um procedimento cirúrgico.
Toda hérnia de disco precisa de cirurgia?
Não.
Segundo Dr. Mateus Tomaz, mais de 95% dos casos de hérnia de disco não precisam de cirurgia.
Na maioria das situações, o paciente pode apresentar melhora com um tratamento conservador, que pode incluir acompanhamento médico, atividade física adequada e cuidados relacionados à postura e ao controle do peso.
“Mais de 95% dos casos de hérnia de disco não precisam de cirurgia. Eles vão melhorar com um tratamento conservador”, explica o neurocirurgião.
Além disso, em determinados casos, as próprias protrusões discais podem apresentar regressão espontânea ao longo do tempo.
Como é feito o tratamento sem cirurgia?
O tratamento depende das características de cada paciente, da intensidade dos sintomas e das alterações identificadas durante a avaliação médica.
Segundo Dr. Mateus, entre as medidas que podem fazer parte de uma abordagem conservadora estão:
- • prática orientada de atividade física;
- • cuidados com a postura;
- • controle adequado do peso;
- • acompanhamento da evolução dos sintomas;
- • tratamento individualizado de acordo com cada caso.
O objetivo é reduzir os sintomas e favorecer a recuperação da mobilidade sem recorrer necessariamente a uma cirurgia.
Por isso, o diagnóstico de uma hérnia em um exame de imagem, por si só, não determina que uma operação seja necessária.
Quando a hérnia de disco pode precisar de cirurgia?
Existem situações em que os sintomas exigem uma avaliação mais rápida e podem levar à indicação de tratamento cirúrgico.
Dr. Mateus chama atenção principalmente para sinais neurológicos como:
- • perda de força;
- • perda ou alteração da sensibilidade;
- • alterações urinárias.
Quando esses sintomas aparecem, o quadro pode indicar comprometimento neurológico e precisa ser avaliado com maior urgência.
“O importante é salientar que, em casos de perda de força, perda de sensibilidade ou alterações urinárias, isso pode se tornar um caso mais urgente e, sim, apresentar necessidade de cirurgia”, explica.
Perda de força é sinal de alerta?
Sim.
A perda de força em braços ou pernas, dependendo da localização da hérnia, pode indicar que uma estrutura nervosa está sendo afetada.
O mesmo vale para alterações importantes de sensibilidade, como dormência ou redução da percepção em determinadas regiões do corpo.
Esses sinais são diferentes de uma dor isolada e devem ser informados ao médico durante a avaliação.
A decisão sobre cirurgia considera o exame clínico, os sintomas apresentados, o tempo de evolução e os resultados dos exames de imagem.
Alterações urinárias precisam de avaliação rápida?
Sim.
Alterações urinárias associadas a sintomas de hérnia de disco podem representar um sinal de alerta neurológico e não devem ser ignoradas.
Nessas situações, a recomendação é procurar avaliação médica sem esperar que o quadro evolua.
Isso não significa que todas as pessoas com hérnia de disco terão esse tipo de complicação.
Segundo Dr. Mateus, como a grande maioria dos casos não apresenta essa evolução, muitos pacientes conseguem se recuperar com medidas mais simples e conservadoras.
É possível se recuperar de uma hérnia sem operar?
Na maioria dos casos, sim.
Para Dr. Mateus Tomaz, essa é uma das principais informações que os pacientes precisam conhecer ao receber o diagnóstico.
A maior parte das hérnias de disco pode ser acompanhada e tratada sem cirurgia, principalmente quando não existem sinais de comprometimento neurológico importante.
O acompanhamento especializado permite definir quais medidas são mais adequadas e observar a evolução dos sintomas.
A necessidade de cirurgia, portanto, não depende apenas da existência de uma hérnia de disco, mas principalmente dos sintomas, do comprometimento neurológico e da resposta do paciente ao tratamento conservador.
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Colaboração
Dr. Mateus Tomaz Augusto – Neurocirurgião
CRM-SP: 158815 | RQE: 73095
Dr. Mateus Tomaz Augusto é neurocirurgião e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).
Dedica-se ao tratamento de patologias complexas da coluna, buscando abordagens com o menor impacto possível ao paciente. Sua atuação reúne técnica, evidência científica e cuidado individualizado, com foco na recuperação da mobilidade e da qualidade de vida de pacientes que convivem com dor crônica e doenças da coluna.
