No Brasil, cerca de 17 milhões de mulheres estão no climatério, entre os 40 e 65 anos, enquanto aproximadamente 9,2 milhões estão na menopausa, entre os 50 e 65 anos, segundo dados do IBGE divulgados no site oficial da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
O climatério representa a fase de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da mulher e pode começar anos antes da menopausa. Já a menopausa corresponde à última menstruação e é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar.
As mudanças hormonais desse período podem provocar diferentes manifestações físicas e emocionais, com intensidade e duração que variam de mulher para mulher.
Recebemos a seguinte pergunta de Maria Rita, de Curitiba (PR), no nosso Direct no Instagram:
“Quais são os sintomas mais comuns da menopausa e o que ajuda a mulher a se sentir melhor?”
O médico especialista em saúde da mulher 40+ Dr. Leonardo De Gasperi explica que as oscilações hormonais que acontecem no climatério podem estar relacionadas a uma ampla variedade de sintomas e que o cuidado precisa considerar diferentes aspectos da saúde feminina.
Quais são os sintomas mais comuns da menopausa?
Segundo Dr. Leonardo De Gasperi, apesar da variedade de manifestações relacionadas ao climatério e à menopausa, alguns sintomas aparecem com maior frequência entre as mulheres atendidas em sua prática clínica.
Entre eles estão:
- • insônia e alterações do sono;
- • falta de energia e cansaço;
- • queda da libido;
- • desconforto ou dor durante a relação sexual;
- • ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;
- • oscilações de humor, irritabilidade, tristeza e choro fácil.
A FEBRASGO também destaca entre as manifestações do climatério os fogachos, suor excessivo, palpitações, despertares noturnos, insônia, cansaço, indisposição, ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais, alterações urinárias, dores articulares e falhas de memória.
Por isso, a menopausa não deve ser associada apenas às conhecidas ondas de calor.
Toda mulher apresenta os mesmos sintomas?
Não.
A experiência do climatério e da menopausa é individual. Algumas mulheres apresentam poucos sintomas, enquanto outras convivem com alterações que podem interferir significativamente no sono, na vida sexual, no humor, na disposição e na rotina.
Para Dr. Leonardo, essa variedade reforça a importância de avaliar a mulher de maneira individualizada, considerando os sintomas que mais impactam sua qualidade de vida.
As alterações também podem começar ainda durante o climatério, antes mesmo da última menstruação.
O que ajuda a mulher a se sentir melhor na menopausa?
Para Dr. Leonardo, o autocuidado durante essa fase deve começar por pilares relacionados ao estilo de vida.
A primeira recomendação é manter uma rotina regular de atividade física.
“Exercício físico pelo menos três vezes por semana e musculação são pontos muito importantes nessa fase”, afirma.
Alimentação e controle do peso também são importantes?
Sim.
O segundo ponto destacado pelo médico é manter um plano alimentar adequado às necessidades e aos objetivos da mulher, preferencialmente elaborado com acompanhamento profissional.
Com as mudanças hormonais e metabólicas que podem ocorrer após os 40 anos, algumas mulheres relatam aumento de peso ou maior dificuldade para emagrecer.
Para Dr. Leonardo, atividade física, alimentação individualizada e manutenção de um peso adequado formam importantes pilares do autocuidado.
Essas medidas não têm apenas relação com estética. Elas também fazem parte de uma estratégia mais ampla para preservar saúde metabólica, cardiovascular, muscular e óssea ao longo do envelhecimento.
O sono merece atenção durante o climatério?
Sim.
A insônia e os despertares noturnos estão entre as queixas comuns nessa fase.
Alterações no sono podem repercutir na energia, concentração, memória, humor e disposição durante o dia.
Por isso, Dr. Leonardo considera o acompanhamento da qualidade do sono parte importante do cuidado contínuo da mulher após os 40 anos.
Quando a dificuldade para dormir se torna frequente, a causa deve ser investigada em vez de simplesmente considerar o problema como uma consequência inevitável da idade.
Toda mulher na menopausa precisa fazer reposição hormonal?
Não. A necessidade de terapia hormonal da menopausa deve ser avaliada individualmente por um médico, levando em consideração sintomas, idade, histórico clínico, tempo desde a menopausa, riscos, benefícios e possíveis contraindicações.
Dr. Leonardo destaca que a avaliação hormonal pode fazer parte do acompanhamento da mulher quando existe indicação.
Para o especialista, além dos hábitos de vida, o acompanhamento contínuo permite avaliar sono, alimentação, estado nutricional e sintomas associados às mudanças hormonais.
A terapia hormonal pode beneficiar mulheres selecionadas, mas não existe uma abordagem única para todas. A escolha do tratamento deve ser personalizada e baseada em avaliação médica.
Por que o acompanhamento após os 40 anos é importante?
O climatério pode durar vários anos e envolve mudanças que vão além do ciclo menstrual.
Por isso, Dr. Leonardo defende um cuidado contínuo que permita acompanhar a mulher durante toda essa transição.
A avaliação periódica pode ajudar a identificar alterações relacionadas ao sono, peso, saúde sexual, disposição, humor, saúde óssea, metabolismo e sintomas hormonais, além de possibilitar a adoção de medidas preventivas.
A FEBRASGO reforça que a menopausa representa uma nova etapa da vida e que seus sintomas devem ser avaliados de forma individualizada.
Exercício físico, alimentação adequada, manutenção da massa muscular, cuidado com o sono e acompanhamento médico individualizado estão entre as principais estratégias para atravessar o climatério e a menopausa com mais saúde e qualidade de vida.
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Colaboração:
Dr. Leonardo De Gasperi – Médico
CRM-SP: 175056
É médico membro da Sociedade Brasileira de Climatério (SOBRAC) e da International Menopause Society (IMS), com atuação dedicada ao cuidado da mulher 40+.
É fundador da Clínica WHIM e criador do conceito de Medicina de Continuidade, modelo de acompanhamento que integra saúde hormonal, estilo de vida e comportamento durante a transição do climatério e da menopausa. Também atua no desenvolvimento de plataformas de inteligência artificial voltadas à saúde feminina.
