Neste artigo explico as diferenças entre esquecimentos banais e sinais de declínio cognitivo, além do impacto do sono e da dor na memória.
Imagem Ilustrativa

“Doutor, estou esquecendo as coisas. Será que estou começando com Alzheimer?” Esta é uma pergunta cada vez mais frequente na prática clínica. A primeira informação essencial a ser esclarecida é: esquecer não significa necessariamente estar desenvolvendo uma demência.

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O cérebro humano não funciona como um arquivo perfeito. Esquecer pontualmente onde deixou as chaves, demorar alguns segundos para recordar um nome ou entrar em um cômodo e esquecer momentaneamente o que ia fazer são episódios normais especialmente sob estresse, privação de sono ou sobrecarga emocional. O sinal de alerta acende quando há uma mudança progressiva em relação ao funcionamento habitual do indivíduo e, principalmente, quando a falha passa a comprometer a autonomia.

 

Sinais de alerta e o diagnóstico diferencial

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Perder a capacidade de gerenciar as próprias contas, repetir a mesma pergunta consecutivamente sem perceber, perder-se em trajetos conhecidos e ter dificuldade para executar tarefas simples do cotidiano são sinais claros de que o cérebro precisa de investigação neurológica.

 

Contudo, nem toda alteração cognitiva é sinônimo de Alzheimer:

 

  • • Causas Estruturais e Tratáveis: Alterações vasculares, hidrocefalia de pressão normal, hematomas subdurais, tumores cerebrais e disfunções metabólicas/tireoidianas;

 

  • • Fatores Sistêmicos e Emocionais: Sono não reparador, depressão (que simula declínio cognitivo), ansiedade severa, deficiências nutricionais e uso prolongado de certos medicamentos;

 

  • • A Conexão Dor e Memória: A dor crônica persistente disputa recursos com os circuitos atencionais. Se o cérebro não consegue prestar atenção por causa do desconforto contínuo, ele registra mal a informação e o que é mal registrado não é consolidado como memória.

 

Prevenção e preservação da autonomia

Estudos da Comissão Lancet sobre Demência indicam que uma parcela expressiva dos casos de demência está associada a fatores de risco potencialmente modificáveis. Cuidar da saúde cardiovascular (hipertensão e diabetes), praticar atividade física regular, tratar a perda auditiva e visual, controlar o estresse e manter a mente ativa protegem a reserva cognitiva.

 

Investigar precocemente permite identificar causas reversíveis de perda de memória e iniciar terapias protetoras muito antes da perda da independência. Afinal, a memória não é apenas a lembrança do passado: é a base da nossa identidade e da nossa autonomia para o futuro.

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