A busca pela blefaroplastia é um assunto que desperta enorme interesse no consultório, especialmente entre pacientes na meia-idade e idosos. No entanto, o que muitos ainda não sabem é que a indicação desse procedimento é muito ampla, alcançando também pacientes jovens, na faixa dos 30 anos, que sofrem com excesso de pele e bolsas de gordura proeminentes na região dos olhos.
Na medicina moderna, nós não olhamos para essa cirurgia apenas sob a ótica da vaidade. Hoje, trabalhamos com o conceito de blefaroplastia estruturada, uma abordagem que vai muito além da técnica convencional de simplesmente cortar pele e retirar gordura. O objetivo é reposicionar as estruturas profundas e promover uma verdadeira abertura do olhar. Trata-se de um procedimento com impacto duplo: ele entrega um ganho estético extraordinário, mas também devolve a sustentação estrutural e a funcionalidade da pálpebra.
Quando a estética encontra a função
Em meus atendimentos como oftalmologista e especialista em plástica ocular, percebo que cada paciente chega com uma queixa muito particular. Muitas mulheres me procuram porque a flacidez palpebral acumulada já não permite que elas façam a maquiagem que tanto gostam. Outros pacientes relatam um incômodo físico constante, caracterizado por uma sensação de peso nas pálpebras.
Nos casos mais avançados, esse excesso de tecido cai sobre os cílios e começa a invadir o campo visual, atrapalhando a visão periférica e a leitura. Portanto, operar a pálpebra é também um ato de cuidado com a saúde ocular. Pensamos sempre na longevidade: queremos proporcionar um envelhecimento saudável, garantindo um olhar mais leve no agora e que se sustente bem ao longo dos anos.
Como funciona a cirurgia das quatro pálpebras?
Sempre que o paciente apresenta indicação para tratar tanto a pálpebra superior quanto a inferior, a recomendação de ouro é realizar os dois procedimentos juntos. Operar as quatro pálpebras em um único tempo cirúrgico traz mais previsibilidade ao resultado harmônico da face, além de exigir apenas um pós-operatório e um período de recuperação do paciente.
Dependendo da anatomia individual, também podemos associar outras técnicas complementares no mesmo ato operatório:
- Correção de Ptose: Para corrigir a queda da pálpebra propriamente dita, promovendo a abertura do olhar;
- Elevação do Supercílio: Para arquear e elevar a cauda da sobrancelha caída;
- Cantopexia: Procedimento que trata a frouxidão do canto do olho, melhorando o posicionamento e a tensão da pálpebra inferior.
Para garantir o conforto absoluto e uma experiência humanizada, eu prefiro realizar a cirurgia sob sedação (semelhante à anestesia utilizada em exames de endoscopia) associada à anestesia local, sempre com a presença de um médico anestesista na sala. O tempo cirúrgico varia entre 1 hora e meia (apenas as superiores) e 2 horas e meia (superior e inferior combinadas).
Pós-operatório, cicatrizes e o turismo médico
Uma das maiores dúvidas no consultório envolve as cicatrizes. A verdade é que a pele da pálpebra possui uma excelente cicatrização. Na pálpebra superior, a incisão fica camuflada exatamente na preguinha natural (sulco palpebral). Na pálpebra inferior, o corte é feito de forma muito discreta, rente à linha dos cílios. Os pontos são retirados entre 7 e 10 dias após o procedimento, período em que pedimos repouso. Depois disso, o paciente está liberado para retornar às suas atividades e pode cobrir eventuais sinais roxos com o uso de um bom protetor solar com cor.
Por estar localizada em São Paulo, recebo frequentemente pacientes de outros estados brasileiros e de diversos países, como Estados Unidos e França. O fluxo do chamado “turismo médico” tem crescido muito devido à nossa infraestrutura técnica.
Para viabilizar esse cuidado à distância, iniciamos o processo por meio da telemedicina, onde realizamos a primeira consulta e esclarecemos as dúvidas. O paciente viaja para São Paulo para passar pelo exame presencial obrigatório um pouco antes da cirurgia, realiza o procedimento e permanece na cidade até a retirada dos pontos. O restante do acompanhamento pós-operatório pode ser feito online com total segurança.
A blefaroplastia precisa de manutenção?
É preciso lembrar que a cirurgia não interrompe o processo natural de envelhecimento. Fatores genéticos e ambientais como o tabagismo e a exposição solar excessiva sem proteção continuam agindo sobre a pele.
Embora seja um procedimento extremamente duradouro, pacientes que operam muito jovens possuem uma chance maior de precisar de um retoque ou de uma nova intervenção décadas mais tarde. O mais importante é entender que a saúde do olho deve sempre vir em primeiro lugar. Lutar por um olhar rejuvenescido e bonito só faz sentido se mantivermos a visão saudável e protegida.
