Nutricionista esportivo e treinador esclarece os limites entre suplementos e remédios controlados, detalhando o papel de ativos como o Magnésio L-Treonato e o Brain Factor

A busca por maior foco, preservação da memória e otimização do desempenho mental gerou uma verdadeira corrida pelo consumo de cápsulas manipuladas e nootrópicos. No entanto, o nutricionista esportivo e treinador Everton Bottega alerta que, embora existam ativos e fitoterápicos eficazes para o suporte neurológico, nenhuma fórmula substitui o impacto biológico de hábitos saudáveis consolidados.

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Os suplementos possuem a função fisiológica de preencher lacunas e potencializar processos, operando como um complemento estratégico e nunca como o pilar principal da saúde cerebral.

O perigo da automedicação e a ilusão do efeito placebo

Parte dos relatos de sucesso imediato ao iniciar um protocolo sem fundamentação técnica deve-se ao efeito placebo um fenômeno em que a crença e a expectativa do indivíduo na eficácia do produto disparam respostas neuroquímicas reais de melhora. Contudo, sem suporte clínico, esses resultados tendem a ser superficiais.

O consumo desregrado de vitaminas e minerais sem supervisão médica ou nutricional apresenta dois grandes riscos:

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  • • Subdosagem: Quantidades insuficientes que não atingem o limiar terapêutico para cruzar a barreira hematoencefálica.
  • • Superdosagem (Hipervitaminose): O excesso de micronutrientes sem indicação sobrecarrega as vias de excreção no fígado e nos rins, gerando toxicidade tecidual.

Além disso, é fundamental alinhar expectativas. Enquanto medicamentos controlados para TDAH (como o dimesilato de lisdexanfetamina / Venvanse) atuam por via sintética direta na liberação massiva de dopamina e noradrenalina, a suplementação nutre a célula e fornece cofatores para a síntese neuroquímica natural, um processo gradual que exige constância.

Principais ativos e fitoterápicos para a cognição

Quando orientados por exames individualizados, determinados compostos demonstram excelente respaldo na otimização neurológica:

  • • Sinergia de Magnésio e Zinco: O uso de formas com alta penetração central, como o Magnésio L-Treonato (capaz de atravessar a barreira hematoencefálica), associado ao zinco, atua diretamente na neuroplasticidade, na memória e na proteção contra o estresse oxidativo.
  • • Brain Factor (Fitoterápico): Derivado de extratos vegetais, estimula o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), auxiliando na neurogênese e na retenção de informações em períodos de exaustão intelectual.
  • • GABA (Ácido Gama-Aminobutírico): Utilizado como indutor de relaxamento e suporte ao sono profundo, exige cautela e prescrição individualizada para evitar sonolência residual ou desconfortos.

Os três pilares da performance cerebral

Para alcançar a alta performance sem depender de polifarmácia, Everton Bottega propõe uma hierarquia clara de prioridades biológicas baseada na longevidade:

1 – O Sono Restaurador (1º Lugar): É durante o sono profundo que o cérebro realiza a depuração de resíduos metabólicos tóxicos e consolida as memórias do dia.

2 – O Treinamento Físico (2º Lugar): Atua como um hábito angular. O indivíduo que treina tende naturalmente a regular o sono e melhorar as escolhas alimentares.

3 – Nutrição e Suplementação (3º Lugar): Fornece a matéria-prima biológica para que todas as funções orgânicas operem em equilíbrio.

Perguntas frequentes sobre suplementação cerebral (FAQ)

Suplementos como magnésio e zinco substituem remédios de foco como o Venvanse?

Não. Medicamentos controlados alteram quimicamente os neurotransmissores para gerar foco imediato. Os suplementos atuam nutrindo as células e otimizando a saúde cerebral a médio e longo prazo, de forma gradual.

Tomar vitaminas ou fitoterápicos em excesso pode fazer mal?

Sim. O uso de doses acima da necessidade individual pode causar hipervitaminose e intoxicação, gerando sobrecarga metabólica no fígado e nos rins.

O que é o Magnésio L-Treonato?

É uma forma de magnésio com alta capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, aumentando os níveis do mineral no cérebro e auxiliando no aprendizado e na preservação da memória.

É preciso tomar suplementos manipulados para a memória a vida toda?

Não obrigatoriamente. A suplementação pode ser contínua em casos de dificuldades genéticas de absorção ou estratégica por períodos específicos, como em fases de maior estresse ou estudos intensos.

Fonte:

Everton Bottega – Nutricionista

CRN-RS: 9713D | CREF: 009582G/RS

Profissional especialista em Nutrição Integrativa e Treinamento Comportamental. Atua como mentor e palestrante, guiando pacientes e atletas na busca pela alta performance física e mental.

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