Neste artigo juntamente com o Dr. Matheus Mendes explicamos como a integração entre neurociência, ortopedia e reabilitação transforma o tratamento da dor crônica.
Imagem Ilustrativa

Uma hérnia de disco, um desgaste na cartilagem ou uma alteração nos tendões. Para muitos pacientes, receber um desses achados em um laudo de imagem marca o início de uma longa jornada de preocupação. Contudo, no Dia Mundial da Dor (17 de outubro), especialistas fazem um alerta fundamental para a saúde pública: a imagem do exame não conta a história inteira do paciente.

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A dor crônica aquela que persiste ou recorre por mais de três meses exige um modelo de atendimento que vá além das alterações anatômicas e enxergue o indivíduo em sua totalidade.

Tratar a pessoa, não a ressonância magnética

Destaco que um dos grandes desafios da medicina contemporânea é desvincular a dor de uma visão estritamente mecânica:

Durante muito tempo, a medicina buscou encontrar uma lesão que justificasse cada experiência dolorosa. Hoje, sabemos que a dor é resultado de uma interação complexa entre o sistema nervoso, os tecidos, o movimento, o sono, as emoções e o contexto de vida. Não podemos reduzir o sofrimento de uma pessoa a uma imagem de ressonância magnética.

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Essa abordagem é corroborada pelo ortopedista e especialista em Medicina do Esporte Dr. Matheus Mendes (CRM-PE 26223 / RQE 13233)

“Costumo dizer aos meus pacientes que não tratamos uma ressonância magnética, tratamos uma pessoa.”

Segundo o Dr. Mendes, achados como hérnias de disco ou desgastes articulares são extremamente comuns também em pessoas assintomáticas. Por isso, a investigação clínica deve focar na história de vida, nos testes de movimento, na força muscular e nas atividades que o paciente deixou de realizar por causa do desconforto.

Os diferentes caminhos da dor e o papel do sistema nervoso

A intensidade da dor nem sempre reflete a extensão de um dano tecidual. O sistema nervoso central e periférico pode alterar a forma como processa os estímulos, perpetuando o sinal doloroso.

A medicina da dor classifica a experiência em três mecanismos principais:

1 – Dor Nociceptiva: Decorrente da ativação de receptores por lesão ou ameaça tecidual real;

2 – Dor Neuropática: Resultante de lesão ou doença que afeta o sistema somatossensorial;

3 – Dor Nociplástica: Associada à alteração do processamento da nocicepção sem evidência clara de dano tecidual, como ocorre em quadros de fibromialgia ou dor lombar crônica inespecífica.

Compreender o mecanismo predominante permite criar uma jornada terapêutica personalizada.

O espaço entre o remédio e a cirurgia

Para o Dr. Matheus Mendes, o avanço da ortopedia moderna foi preencher o espaço entre o uso contínuo de analgésicos e a indicação cirúrgica. O plano terapêutico efetivo baseia-se em três pilares centrais:

  •  • Controle da Dor e Procedimentos Minimamente Invasivos: Infiltrações articulares e intervenções guiadas por ultrassom ajudam a diminuir o quadro agudo, criando uma janela de oportunidade para o movimento;
  •  • Fortalecimento e Condicionamento Muscular: Exercícios terapêuticos e fisioterapia focam na reabilitação funcional sustentável;
  •  • Saúde Metabólica e Estilo de Vida: Acompanhamento da composição corporal e controle da inflamação sistêmica.

Vencendo o medo do movimento (Kinesiofobia)

O medo de agravar uma lesão leva muitos pacientes ao isolamento e ao sedentarismo, gerando um ciclo vicioso de fraqueza muscular, descondicionamento e aumento do sofrimento.

A educação em dor, o movimento progressivo e o suporte psicológico são essenciais para devolver a confiança no próprio corpo. Para os especialistas, o objetivo do tratamento não é apenas zerar a escala da dor, mas restaurar a autonomia e devolver ao paciente a liberdade de realizar o que ama.

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