Dra. Monica Bretas explica a diferença entre obstrução leve e total e alerta que resolução do episódio exige avaliação médica e fonoaudiológica.
Imagem Ilustrativa

Um vídeo gravado pela fonoaudióloga Dra. Monica Bretas viralizou nas redes sociais ao trazer orientações práticas e vitais sobre como agir em casos de engasgo. O tema, que frequentemente gera pânico e dúvidas na população, ganhou destaque pela clareza com que a especialista ensina a identificar a gravidade da situação e a realizar os primeiros socorros de forma segura.

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A Dra. Monica explica como identificar os diferentes tipos de engasgo, quais atitudes podem salvar vidas nos primeiros minutos e porque é fundamental buscar avaliação médica após episódios de obstrução das vias aéreas.

Vídeo/Reprodução Instagram:

Como identificar se um engasgo é grave

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O principal sinal de que um engasgo é grave é a ausência completa da passagem de ar. Nesses casos, a vítima não consegue falar, tossir ou emitir qualquer tipo de som. É comum que a pessoa apresente um esforço respiratório visível, com movimentos do tórax, e leve as mãos ao pescoço de forma instintiva.

Se a obstrução não for revertida, a pessoa ficará inicialmente com o rosto avermelhado e lábios e extremidades arroxeadas (cianose), evoluindo para a queda do nível de consciência em poucos minutos. A especialista resume uma regra prática para quadros menos graves: “Se há passagem de ar, ainda que difícil, e a pessoa consegue tossir ou emitir som, ela deverá executar a sequência: tossir, engolir e respirar. Se não consegue tossir, falar ou respirar, aja imediatamente”.

O que fazer em caso de engasgo estando sozinho

Na ausência de um socorrista, a pessoa engasgada pode realizar a automanobra de Heimlich. O procedimento consiste em fechar uma das mãos e posicionar o polegar contra o abdômen, no ponto exato entre o final do osso esterno e o umbigo. A outra mão deve cobrir a primeira para aplicar compressões rápidas e vigorosas, direcionadas para dentro e para cima.

Uma alternativa eficaz para gerar maior força mecânica é apoiar a região logo acima do umbigo sobre uma superfície rígida como o encosto de uma cadeira, a borda de uma mesa, balcão ou pia e deixar o peso do corpo cair de forma firme e repetida sobre o ponto.

Durante o episódio, alguns erros comuns devem ser rigorosamente evitados:

  • Não provocar vômito ou introduzir os dedos às cegas na garganta, pois isso pode empurrar o objeto para uma região mais profunda da via respiratória;
  • Não realizar compressões sobre as costelas ou no tórax, o que aumenta o risco de fraturas sem auxiliar na desobstrução.

Diferença entre engasgo leve e engasgo total

A distinção entre o engasgo leve (parcial) e o total baseia-se na obstrução parcial ou completa da passagem de ar e na eficácia da tosse. No engasgo leve, o fluxo de ar não está totalmente interrompido. O indivíduo consegue tossir com vigor, falar e manter a coloração normal da pele. Diante disso, o recomendado é manter a calma e deixar que a própria força da tosse atue, pois manobras externas intempestivas podem converter uma obstrução parcial em total.

No engasgo total, a passagem de ar é nula ou mínima, a tosse torna-se fraca ou completamente silenciosa e a cianose surge progressivamente. Se o paciente estiver sozinho, deve realizar duas checagens mentais rápidas: “Consigo tossir com força? Consigo emitir algum som?”. Caso a resposta para ambas seja negativa, a intervenção mecânica imediata é obrigatória. Em qualquer cenário grave, o serviço de emergência (192 ou 193) deve ser acionado imediatamente, se possível em modo viva-voz.

Grupos de risco e medidas de prevenção

Crianças, idosos e portadores de disfagia (dificuldade de deglutição) formam os grupos mais vulneráveis a episódios graves, demandando cuidados preventivos específicos:

  • Crianças pequenas (até 4 anos): Possuem vias aéreas estreitas e mastigação imatura. Deve-se evitar oferecer alimentos em formatos cilíndricos ou inteiros, como uvas inteiras, salsichas em rodelas, castanhas, pipoca e cenoura crua em pedaços grandes. Os alimentos devem ser cortados em pedaços pequenos e não cilíndricos, e as refeições devem ocorrer em ambiente sem distrações, com a criança sentada e sob supervisão.
  • Idosos: O risco decorre da perda de força na musculatura da deglutição, redução do reflexo de tosse, uso de medicamentos que causam boca seca e próteses dentárias mal adaptadas. A prevenção exige a adequação da consistência dos alimentos, ritmo lento ao comer, postura correta à mesa e restrição de fala durante a deglutição.
  • Pacientes com disfagia diagnosticada: Casos de origem neurológica, pós-AVC ou oncológica exigem adesão estrita ao nível de modificação de dieta prescrito (como a escala IDDSI), aplicação de estratégias compensatórias individuais e higiene oral rigorosa para mitigar o risco de pneumonia por microaspiração.

Complicações tardias: por que ir ao médico após desengasgar

A resolução do engasgo agudo não significa o encerramento do quadro clínico. A avaliação médica em um pronto-socorro é obrigatória sempre que houver a necessidade de aplicação de compressões abdominais, devido ao risco de lesões em vísceras ou fraturas de costelas.

O atendimento especializado também é indispensável se persistirem sintomas como tosse contínua, dor torácica, falta de ar, chiado, rouquidão ou dor ao engolir, indicando que fragmentos do objeto ou alimento podem ter permanecido na via aérea baixa. Complicações como a pneumonia aspirativa podem se manifestar horas ou dias após o evento, caracterizadas por febre, dor no peito e secreção pulmonar. A Dra. Monica reforça o alerta: “Desengasgar não é sinônimo de problema resolvido”.

Dra. Monica Bretas – Fonoaudióloga | Foto: Divulgação

Sobre a Dra. Monica Bretas

Fonoaudióloga hospitalar (CRFa 2: 3069-6) com atuação há mais de 20 anos no Hospital Sírio-Libanês, onde coordena a fonoaudiologia do Centro de Cardiologia e Reabilitação Cardiopulmonar. Doutora em Ciências em Oncologia pelo AC Camargo Cancer Center e sócia-fundadora da Clínica FOCOS.

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