Neurocirurgião Dr. Luiz Severo destaca que o combate à dor exige individualização, mapeamento de fenótipos, equipe multidisciplinar e medicina baseada em evidências.
Imagem Ilustrativa

O manejo da dor crônica costuma ser cercado por expectativas irreais. É comum que pacientes procurem respostas imediatas ou fórmulas mágicas capazes de eliminar qualquer desconforto da noite para o dia. No entanto, para o neurocirurgião e especialista em dor Dr. Luiz Severo, o tratamento eficaz não funciona como uma bola de cristal: é pura ciência, estratégia e rigor clínico.

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“Evidência científica é o ponto de partida. Individualização é o caminho. Melhorar a vida das pessoas é o propósito”, resume o especialista.

Mapeamento de fenótipos e compreensão da dor

O primeiro passo no tratamento avançado da dor não consiste em escolher um único medicamento ou procedimento milagroso, mas sim em compreender a complexidade do quadro vivenciado pelo paciente:

  •  • Identificação do fenótipo da dor: Entender as vias neurobiológicas específicas que mantêm o sinal doloroso ativo;
  •  • Reconhecimento dos mecanismos envolvidos: Diferenciar a dor nociceptiva, neuropática ou plástica;
  •  • Avaliação do impacto funcional: Analisar como o sofrimento interfere diretamente na autonomia, no sono, no trabalho e nas relações do indivíduo.

A partir desse diagnóstico minucioso, constroem-se possibilidades terapêuticas integradas, alinhando expectativas reais entre médico e paciente. O objetivo principal do tratamento não é prometer que a dor vai desaparecer por completo, mas sim recuperar a função, a autonomia e a qualidade de vida.

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O modelo 360°: integrando tecnologias e equipe multidisciplinar

O tratamento moderno da dor crônica está longe de depender de uma única abordagem isolada. Ele exige uma visão global e integrada que engloba:

1 – Tecnologias e Inovação: Utilização de recursos modernos de neuromodulação e terapias regenerativas respaldadas por estudos científicos sólidos.

2 – Medicina Intervencionista: Procedimentos minimamente invasivos (como bloqueios e infiltrações guiadas) para interromper vias de transmissão da dor.

3 – Equipe Multidisciplinar: Suporte essencial envolvendo fisioterapia especializada, psicologia, reeducação do sono e acompanhamento nutricional.

4 – Medicina Integrativa: Olhar 360° que considera o paciente em sua totalidade, unindo o rigor acadêmico ao acolhimento humanizado.

Perguntas frequentes sobre o tratamento da dor crônica (FAQ)

Por que a dor crônica é tão difícil de tratar com uma única medicação?

Porque a dor crônica deixa de ser apenas um sintoma de alerta e passa a ser uma disfunção no sistema nervoso central e periférico. Isso exige estratégias combinadas que atuem em diferentes frentes biológicas e comportamentais.

O objetivo do tratamento da dor é eliminar 100% do desconforto?

Nem sempre a eliminação total da dor é viabilizada pela medicina atual. O foco real e clínico é reduzir a intensidade a níveis toleráveis, devolvendo ao paciente a capacidade de se movimentar, trabalhar e desfrutar da vida com independência.

Qual é a importância da equipe multidisciplinar para quem sente dor crônica?

A dor crônica afeta o corpo, o humor, o sono e a saúde mental. Profissionais de diferentes áreas trabalham em conjunto para reabilitar o paciente de forma integral, evitando a dependência excessiva de fármacos.

O que significa ter uma abordagem 360° no controle da dor?

Significa olhar além do local onde o paciente sente dor, investigando causas emocionais, posturais, genéticas, metabólicas e sociais que influenciam a manutenção do quadro doloroso.

Fonte:

Dr. Luiz Severo – Neurocirurgião e Especialista em Dor

CRM-PE: 24210 | RQE: 10983 — CRM-PB: 12554 | RQE: 7100

Médico neurocirurgião, professor, escritor e membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED). Reconhecido como jovem liderança médica pela Academia Nacional de Medicina e criador do programa “Nossa jornada contra a sua dor”.

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