Neste artigo explico o Transtorno Depressivo Maior com padrão sazonal (SAD), analisando sua variação geográfica e os mecanismos de ritmo circadiano, melatonina e serotonina.
Imagem Ilustrativa

A depressão sazonal conhecida na psiquiatria como Transtorno Depressivo Maior com padrão sazonal (Seasonal Affective Disorder – SAD) é uma condição caracterizada pelo aparecimento recorrente de episódios depressivos em determinadas épocas do ano, habitualmente no outono e no inverno, com remissão espontânea durante a primavera ou o verão. Para a confirmação diagnóstica, esse padrão deve se repetir por pelo menos dois anos consecutivos, predominando sobre episódios não sazonais.

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Embora compartilhe os sintomas nucleares do episódio depressivo maior (humor deprimido, anedonia, fadiga, falta de concentração e desesperança), o quadro se destaca pela forte presença de sintomas atípicos: hipersonia (sonolência excessiva), aumento expressivo do apetite, compulsão por carboidratos e ganho de peso.

Prevalência global e a influência da latitude

A prevalência da depressão sazonal está diretamente ligada à posição geográfica e à variação da luz solar ao longo do ano:

  • Países Tropicais e Equador (ex.: Brasil): A prevalência é estimada em menos de 1% (entre 0,3% e 1%). A alta incidência de luz solar contínua e a pequena oscilação do fotoperíodo protegem a população.
  • América do Norte e Reino Unido: Varia entre 1% e 5% na população geral, ultrapassando 8% em regiões de alta latitude como o Alasca.
  • Canadá e Países Escandinavos: Atinge entre 2% e 10% da população (com variações regionais em países como Noruega, Suécia e Finlândia).

O sexo feminino, a idade jovem, a predisposição genética e o histórico familiar de transtornos do humor são fatores de risco adicionais bem estabelecidos.

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Causas e mecanismos fisiopatológicos

A depressão sazonal é uma doença multifatorial, desencadeada pela interação entre vulnerabilidade genética e a privação da iluminação natural:

1 – Desregulação do Ritmo Circadiano: A diminuição da luz solar desorganiza o relógio biológico central (localizado no núcleo supraquiasmático do hipotálamo), alterando os horários fisiológicos do sono, temperatura corporal e secreção hormonal.

2 – Prolongamento da Melatonina: Com noites mais longas no inverno, a glândula pineal estende a produção de melatonina, resultando em fadiga crônica e sonolência diurna.

3 – Queda da Atividade Serotoninérgica: No inverno, ocorre maior atividade do transportador de serotonina (SERT), que remove rapidamente o neurotransmissor da fenda sináptica, favorecendo o rebaixamento do humor e a busca por carboidratos.

4 – Disfunção Dopaminérgica: A menor luminosidade reduz o tônus de dopamina nos circuitos de recompensa, diminuindo a motivação e a energia.

5 – Fatores Genéticos e Vitamina D: Variantes genéticas ligadas ao relógio biológico aumentam a suscetibilidade. Além disso, embora a menor exposição solar reduza a vitamina D no inverno, baixos níveis atuam como fator contributivo secundário, e não como causa isolada.

O reconhecimento das causas biológicas da depressão sazonal é essencial para indicar intervenções eficazes como a fototerapia, a Terapia Cognitivo-Comportamental e a farmacoterapia, devolvendo ao paciente estabilidade funcional e bem-estar.

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