Neste artigo eu e o fisioterapeuta Dr. Elexsandro Araújo explicamos como o movimento seguro desarma o sistema de alerta da dor e previne quedas em idosos.
Imagem Ilustrativa

Por muito tempo, ouvir frases como “é normal sentir dor na idade” fez parte da rotina de milhões de brasileiros. Hoje, a neurociência e a medicina baseada em evidências mostram exatamente o contrário: envelhecer não significa conviver obrigatoriamente com o sofrimento físico.

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O aumento expressivo da expectativa de vida trouxe um novo desafio para a área da saúde: preservar a capacidade de viver bem e com autonomia. Entre os maiores responsáveis pela perda de independência na terceira idade estão as dores crônicas, especialmente a lombalgia, a cervicalgia e a artrose. Para discutir uma das estratégias de reabilitação que mais cresce no cenário atual, conversei com o fisioterapeuta Dr. Elexsandro Araújo, especialista em saúde da pessoa idosa e Pilates Clínico.

Pilates Clínico vs Pilates Tradicional

Segundo o especialista, o método clínico vai muito além dos exercícios convencionais conhecidos pelo público geral. Ele atua de forma direcionada na mecânica do corpo envelhecido.

“O Pilates Clínico é prescrito após uma avaliação minuciosa e individualizada, respeitando os limites biológicos e as necessidades de cada paciente. O objetivo central é restaurar a amplitude de movimento, melhorar a estabilidade articular, fortalecer a musculatura estabilizadora profunda e devolver a funcionalidade com total segurança”, explica o Dr. Elexsandro Araújo.

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O movimento como analgésico natural do cérebro

Na prática clínica neurológica, observo diariamente que a dor crônica raramente resulta de uma única causa isolada. Ela é o produto de uma interação complexa entre alterações musculares, processos inflamatórios, sedentarismo, perda de força, distúrbios do sono e ansiedade. Esse conjunto de fatores gera uma modificação no funcionamento do sistema nervoso central, conhecida como sensibilização da dor.

É exatamente por isso que o movimento orientado passou a ocupar o papel central no tratamento médico moderno. O cérebro interpreta o estímulo de um movimento seguro e controlado como um sinal biológico de proteção.

Ao fazermos o paciente idoso voltar a se mexer com confiança, nós reduzimos o estado de alerta do sistema nervoso, diminuindo a hipersensibilidade dolorosa. O repouso prolongado, ao contrário do que se pensava antigamente, agrava a atrofia e a incapacidade funcional. Os exercícios graduados estimulam a liberação de endorfinas e substâncias analgésicas naturais pelo próprio corpo, combatendo a inflamação de dentro para fora.

Os impactos na saúde mental e na autonomia

Estudos científicos robustos comprovam que programas estruturados de Pilates Clínico promovem uma redução significativa na intensidade das dores musculoesqueléticas, além de proporcionar ganho de massa magra, melhora na postura e ganho de equilíbrio estático e dinâmico — fator diretamente relacionado à prevenção de quedas graves em idosos.

Além das respostas físicas, o impacto sobre a saúde mental e a autoestima do idoso é imensurável. “O paciente volta a confiar no próprio corpo e recupera sua autonomia. Muitas vezes, não estamos tratando apenas uma coluna desgastada ou um joelho com artrose; estamos devolvendo a liberdade para esse idoso passear, brincar com os netos e realizar suas atividades diárias sem o medo constante da dor”, ressalta o Dr. Elexsandro.

Dentro dos centros médicos especializados, o Pilates Clínico atua de forma integrada a uma abordagem multidisciplinar, conectando-se à fisioterapia motora, à educação em dor, à neuromodulação, à nutrição funcional e, quando estritamente necessário, a procedimentos intervencionistas. Sentir dor não é um destino inevitável do envelhecimento. Com o direcionamento clínico correto, é perfeitamente possível envelhecer com movimento ativo, independência e plenitude.

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