Conheça as alterações que afetam o formato do tórax, o impacto na autoestima dos jovens e as opções modernas de tratamento.
Imagem Ilustrativa

Em minha prática clínica, observo que muitas famílias chegam ao consultório assustadas ao notar alterações no tórax dos filhos, especialmente durante a puberdade. Essa condição é conhecida como pectus, um termo médico que se refere a deformidades na parede torácica causadas pelo crescimento anormal das cartilagens costocondrais — aquelas que ligam as costelas ao osso esterno, o osso central do peito.

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Embora o impacto estético seja a queixa mais frequente, afetando profundamente a autoestima e a vida social dos jovens, em casos extremos essas alterações podem comprometer as funções respiratória e cardíaca.

Pectus Excavatum: o “tórax em sapateiro”

O pectus excavatum é caracterizado por um afundamento do osso esterno, que se desloca para dentro, criando uma depressão visível no centro do peito.

Em meus atendimentos, noto que essa condição congênita costuma ficar muito mais evidente durante o estirão de crescimento da puberdade — que ocorre entre os 11 e 15 anos nas meninas, e dos 14 aos 18 anos nos meninos.

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  • Sintomas comuns: Na maioria das vezes, a queixa é psicológica (vergonha de frequentar praia ou piscina e episódios de bullying).
  • Casos graves: O paciente pode relatar dor torácica, falta de ar e cansaço ao menor esforço, decorrentes da compressão do coração e dos pulmões.
  • Tratamento: Casos leves respondem bem à fisioterapia e exercícios posturais. Para deformidades severas, as opções cirúrgicas incluem a técnica convencional de Ravitch ou a Técnica de Nuss, um procedimento moderno onde inserimos uma barra de titânio atrás do esterno para empurrá-lo para a posição correta.

Pectus Carinatum: o famoso “peito de pombo”

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Diferente da condição anterior, o pectus carinatum faz com que o osso esterno e as cartilagens sejam projetados para fora, criando uma saliência ou protuberância no peito.

Essa variação também tem origem congênita e se acentua na adolescência, sendo significativamente mais comum em meninos. Embora sintomas respiratórios sejam raros neste tipo, o desconforto físico em posições de impacto e o sofrimento emocional são idênticos.

Para o tratamento do pectus carinatum em adolescentes, o uso de órteses (coletes ortopédicos compressores) apresenta excelentes resultados, pois aproveita a flexibilidade dos ossos em crescimento para remodelar o tórax de forma gradual e sem cirurgia.

Quando procurar ajuda médica especializada?

A avaliação precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Recomendo agendar uma consulta com um cirurgião torácico se você notar os seguintes sinais:

  1. Mudança visível e progressiva no formato do peito do adolescente.
  2. Relatos de cansaço fácil, falta de ar ou palpitações durante atividades físicas.
  3. Sinais de isolamento social, timidez excessiva ou angústia relacionados à autoimagem.

O diagnóstico é eminentemente clínico, feito por meio da inspeção visual no consultório. Para medir a extensão do problema e planejar a melhor conduta, solicito exames de imagem como a tomografia de tórax e testes de função pulmonar e cardíaca. A decisão terapêutica é sempre individualizada, unindo uma equipe multidisciplinar com cardiologistas, fisioterapeutas e psicólogos para garantir saúde física e mental ao paciente.

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