A pesquisadora Suzana Matos, fundadora do projeto Anjo dos Olhinhos, alerta sobre a importância de ir além do Teste do Olhinho para garantir a visão das crianças.
Suzana Matos, CEO do Instituto Anjo dos Olhinhos no Doutor TV Entrevista com Salatiel Araújo

A saúde ocular na infância é frequentemente negligenciada em comparação a outras áreas da pediatria, segundo Suzana Matos, pesquisadora da UNIFESP. Muitas famílias desconhecem que o Teste do Olhinho, realizado na maternidade, é apenas uma triagem básica e não substitui uma consulta completa com um oftalmopediatra.

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O diagnóstico tardio de doenças oculares como a catarata congênita pode comprometer permanentemente a visão, ou como no caso do retinoblastoma (câncer ocular) até colocar a vida da criança em risco. Sinais como uma mancha branca na pupila (leucocoria), sensibilidade excessiva à luz ou desvios oculares devem ser investigados imediatamente.

Para mudar essa realidade, Suzana se dedica ao projeto acadêmico de uma cartilha informativa didática a ser entregue à população, e com ela o mascote Anjo dos Olhinhos, para estar presente no dia a dia da família. O objetivo é transformar a saúde visual em uma pauta constante, integrando os pais, familiares, profissionais de saúde, líderes de comunidade, escolas e demais participantes responsáveis pelas crianças.

Qual a diferença entre o Teste do Olhinho e o exame oftalmológico?

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É fundamental entender que o Teste do Olhinho (Teste do Reflexo Vermelho) é uma triagem rápida e muito importante realizada pelo especialista ainda na maternidade para detectar alterações que afetam o desenvolvimento da visão do bebê, como catarata congênita, glaucoma congênito, tumores, infecções, entre outras doenças, mas não substitui a primeira consulta oftalmológica. Muitas vezes estas alterações são muito leves ou difíceis de perceber, então a melhor forma de prevenção é a realização de exames periódicos com equipamentos específicos para avaliar a fundo as estruturas oculares. Este acompanhamento é essencial para garantir que o desenvolvimento da visão ocorra sem atrasos ou prejuízos funcionais.

Suzana Matos enfatiza que a informação é a maior ferramenta na ação de prevenção e recomenda que toda criança ao iniciar o acompanhamento com o pediatra após a alta da maternidade também seja encaminhada ao oftalmopediatra.

A recomendação para cada criança deve ser feita pelo próprio especialista quanto ao acompanhamento, tratamento e período de retorno. Para o tratamento da catarata congênita, por exemplo, a depender da causa e da gravidade, a recomendação para cirurgia pode ser feita entre as seis semanas e os três meses de vida, conforme o histórico da criança. É preciso brevidade no diagnóstico, alerta a pesquisadora, que vivenciou o diagnóstico de catarata congênita de sua filha ainda na maternidade há 27 anos. Sabemos que o período de agendamento de consultas, de exames, a espera de resultado, o retorno ao especialista, eventuais exames pré-operatórios até o agendamento de cirurgia pode ser lento, extenso e essa demora pode comprometer o alcance de um resultado mais eficaz. Essa é a nossa realidade social e deve ser evidenciada. Muitas famílias desistem do tratamento por todas as dificuldades relacionadas à logística, à demora, custos, e outros fatores como a situação de tantas mães solo. Isso tudo tem muita relevância e tem que estar em discussão.

 

Sinais de alerta no comportamento infantil e prevenção

Muitas vezes, a criança não reclama de dificuldade para enxergar porque não tem um parâmetro de visão normal. Por isso, os pais devem observar o comportamento da criança em casa e na escola. Irritabilidade, dificuldade de concentração e tropeços frequentes podem ser indícios de problemas oculares.

Além do monitoramento doméstico, o acesso à informação de qualidade deve ser facilitado pelo sistema público e privado. O uso de conteúdos audiovisuais, cartilhas, cartazes ajuda a democratizar o conhecimento, alcançando famílias que costumam enfrentar barreiras geográficas e sociais para o tratamento.

O projeto Anjo dos Olhinhos busca parcerias com o setor público e privado, e pretende instituir o Dia Nacional da Saúde Ocular Infantil, criando uma memória afetiva e cultural sobre a prevenção. E assim como o compromisso com o calendário de vacina, exista também com o monitoramento e o cuidado de rotina com os olhinhos das crianças.

Perguntas Frequentes sobre Saúde Ocular Infantil (FAQ)

O Teste do Olhinho é suficiente para garantir a saúde visual? Não. Ele é apenas uma triagem inicial. Toda criança deve passar por um exame completo com um oftalmopediatra.

Quais são os sinais de que meu filho pode ter problemas de visão? Fique atento a reflexos esbranquiçados nas fotos (leucocoria), olhos que não fixam objetos, lacrimejamento constante, sensibilidade à luz ou se a criança aperta os olhos para ver de longe.

O que é o retinoblastoma e como detectá-lo? É um câncer ocular comum em crianças. O principal sinal é o reflexo branco no olho ao tirar fotos com flash. O diagnóstico precoce é crucial para o sucesso do tratamento e preservação da vida.

Como o projeto Anjo dos Olhinhos auxilia as famílias? O projeto promove a conscientização através de uma cartilha informativa e ações educativas com o mascote, visando facilitar o acesso à informação e o diagnóstico precoce em todo o Brasil.

Fonte: Suzana Matos – Pesquisadora e CEO de Preview Saúde Preventiva Ocular na Primeira Infância, criadora do projeto Anjo dos Olhinhos. Mestranda na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Especialista em Direito Médico e Políticas Públicas em Saúde.

Informações e contatos: http://www.suzanamatos.com.br

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