A cirurgiã vascular Dra. Letícia Costa esclarece os mitos sobre a recorrência das varizes e explica a importância de tratar a raiz do problema para obter resultados duradouros.

A dúvida sobre se as varizes podem voltar após o procedimento clínico é um dos questionamentos mais frequentes nos consultórios de cirurgia vascular. Segundo a Dra. Letícia Costa, a ideia de que o tratamento é temporário trata-se de um mito: uma veia doente que foi corretamente tratada e eliminada não se recompõe. O que ocorre, na realidade, é o surgimento de novas varizes ao longo dos anos, impulsionado por um forte componente hereditário e genético.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Como a insuficiência venosa crônica é uma condição evolutiva, a predisposição genética dita a tendência do organismo em desenvolver novos vasos enfraquecidos. Fatores de risco cotidianos como o sedentarismo, obesidade, tabagismo e o hábito de permanecer por longos períodos em pé ou sentada aceleram o desgaste das válvulas venosas. Portanto, o controle da doença depende da combinação entre um tratamento médico assertivo e a manutenção de hábitos de vida saudáveis.

A busca por soluções paliativas ou comerciais, como cremes milagrosos, máscara os sintomas e permite o avanço silencioso da condição. A negligência no tratamento correto pode desencadear complicações severas a longo prazo, incluindo dor crônica, inchaço persistente, alterações na coloração da pele das pernas (dermatite ocre) e o desenvolvimento de úlceras venosas de difícil cicatrização.

Por que os vasinhos reaparecem e a importância de tratar a causa

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Muitas pacientes buscam os consultórios focadas apenas na queixa estética dos vasinhos finos e avermelhados (telangiectasias), solicitando a aplicação imediata. Contudo, em cerca de 85% dos casos, esses vasinhos superficiais são nutridos e mantidos por veias doentes subjacentes, como microvarizes ou a veia safena. Realizar a secagem do vaso sem eliminar a fonte nutridora faz com que o fluxo sanguíneo continue pressionando a região, provocando o reaparecimento precoce dos vasinhos.

Para garantir um tratamento global e de alta resolutividade, a avaliação inicial exige o uso de tecnologias diagnósticas avançadas:

  • Ultrassom Doppler Vascular: Exame padrão-ouro que mapeia o fluxo sanguíneo e identifica o refluxo em veias profundas e na safena.
  • Fleboscópio: Dispositivo de transiluminação cutânea que projeta feixes de luz na pele para revelar as microvarizes nutridoras ocultas a olho nu.
  • Realidade Aumentada: Software que capta e projeta o mapa térmico e anatômico das veias subcutâneas em tempo real sobre a perna do paciente.

Identificar e eliminar as veias mais calibrosas e profundas antes de iniciar as aplicações estéticas é o que garante a estabilidade dos resultados. A associação de técnicas modernas, como o laser transdérmico e a escleroterapia, permite tratar a insuficiência venosa de forma abrangente, promovendo uma recuperação acelerada e sem a necessidade de repouso prolongado.

O impacto da gestação e da reposição hormonal nas varizes

Os hormônios femininos exercem influência direta na elasticidade e na complacência das paredes venosas. Durante a gestação, ocorre uma combinação de fatores desfavoráveis para a circulação: o aumento expressivo do volume sanguíneo, a dilatação hormonal das veias e a compressão mecânica que o útero exerce sobre a veia cava, dificultando o retorno do sangue das pernas para o coração.

A recomendação da especialista é que o tratamento das varizes existentes seja realizado no período de planejamento familiar, antes de engravidar. Caso os vasos piorem durante a gravidez, adota-se uma conduta conservadora com o uso de meias elásticas de compressão. Após o parto, o organismo passa por uma autorregulação e, após três meses, os vasos remanescentes que não regrediram espontaneamente podem ser tratados com segurança.

Na maturidade, a reposição hormonal na menopausa é frequentemente necessária para devolver a qualidade de vida à mulher. A presença de varizes não contraindica o tratamento dos sintomas climatéricos, mas exige uma abordagem integrada entre o ginecologista e o cirurgião vascular. Juntos, os profissionais conseguem alinhar dosagens e vias de administração que minimizem o impacto vascular, garantindo longevidade e bem-estar.

Perguntas Frequentes sobre Tratamento de Varizes (FAQ)

Depois de fazer a aplicação, as varizes podem voltar no mesmo lugar? Não. A veia que foi tratada e eliminada pelo cirurgião vascular é reabsorvida pelo organismo e não volta a funcionar. O que acontece é o surgimento de novas veias doentes ao redor devido à genética do paciente.

O que são as veias nutridoras e por que elas devem ser tratadas? As veias nutridoras são microvarizes localizadas logo abaixo da pele que enviam fluxo de sangue sob pressão para a superfície, alimentando os vasinhos estéticos. Se elas não forem eliminadas, os vasinhos voltam rapidamente.

Grávidas podem fazer aplicação de vasinhos ou cirurgia a laser? Não. Durante a gestação, procedimentos estéticos e cirúrgicos para varizes são contraindicados. O foco deve ser preventivo, utilizando meias de compressão elástica sob orientação médica até o período pós-parto.

Qual a diferença entre o tratamento feito por médicos e clínicas de estética? O diagnóstico e o tratamento de varizes são atos médicos exclusivos do angiologista e do cirurgião vascular. Apenas o especialista médico possui habilitação para utilizar o ultrassom Doppler e intervir em veias profundas de forma segura.

As meias de compressão elástica conseguem sumir com as varizes? Não. As meias não eliminam as varizes existentes. A função da compressão elástica é facilitar o retorno venoso, reduzir sintomas como dor e inchaço no final do dia e frear a progressão da doença vascular.

Fonte:

Dra. Letícia Soares Costa – Cirurgiã Vascular

CRM-PR: 40.564 | RQE: 24203

Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Mais de uma década de experiência clínica dedicada ao diagnóstico e tratamento de doenças venosas e linfáticas, com especialização realizada em centros de referência em Belo Horizonte (MG). Especialista em procedimentos minimamente invasivos, laser transdérmico e tecnologia vascular avançada, com atendimento no Paraná e via Telemedicina.

Publicidade
Publicidade