Doença silenciosa representa 29% dos tumores masculinos no Brasil; exames preventivos garantem alto índice de controle e preservação da saúde.

O câncer de próstata é o segundo tipo mais comum entre os homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Segundo dados do INCA, divulgados pela SBOC, são esperados cerca de 66 mil novos casos por ano. Apesar dos números expressivos, a doença apresenta altos índices de cura quando detectada em fases iniciais.

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O Dr. Eliney Faria, doutor em Uro-oncologia pela USP e especialista em cirurgia robótica pelo MD Anderson (EUA), falou sobre os avanços no rastreamento e nas tecnologias no tratamento da neoplasia maligna.

O desafio do diagnóstico precoce e os exames fundamentais

O câncer de próstata é frequentemente silencioso. Quando sintomas como dor ou dificuldade urinária aparecem, a doença pode já estar em estágio avançado. Por isso, o rastreamento preventivo é indispensável.

Os pilares da investigação continuam sendo o exame de sangue PSA e o toque retal. “O toque permite avaliar a consistência e a presença de nódulos que o PSA sozinho não revela”, explica o Dr. Eliney Faria. A recomendação geral é iniciar o acompanhamento aos 50 anos, ou aos 45 anos para homens negros ou com histórico familiar de primeiro grau.

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Superando o estigma do exame de toque retal

Ainda existe resistência cultural ao exame de toque, mas a ciência é clara: um exame complementa o outro. O PSA pode se elevar por causas benignas, enquanto o toque oferece informações anatômicas cruciais.

No consultório, o Dr. Eliney aborda o tabu com objetividade. “É um procedimento médico breve e técnico, que deve ser encarado com a mesma naturalidade de um exame abdominal. Cuidar da saúde não diminui a masculinidade; mostra responsabilidade”, afirma o urologista.

Inovações: cirurgia robótica e preservação de funções

O medo de sequelas, como incontinência urinária e disfunção erétil, é comum entre os homens. Atualmente, a cirurgia robótica tem sido uma grande aliada na preservação dos nervos e tecidos nobres ao redor da próstata.

A tecnologia oferece imagens magnificadas e movimentos milimétricos. No entanto, o especialista ressalta que o sucesso depende da combinação entre a tecnologia e a experiência da equipe médica. O objetivo é garantir o controle oncológico sem comprometer a qualidade de vida sexual e urinária do paciente.

Vigilância ativa: quando o tratamento imediato não é necessário

Nem todo tumor de próstata exige cirurgia ou radioterapia imediata. Em casos de tumores de baixo risco e crescimento lento, adota-se a vigilância ativa.

Nesta estratégia, o paciente é monitorado rigorosamente com exames periódicos. “O objetivo é evitar os impactos de tratamentos radicais em casos onde a doença não ameaça a vida do paciente, sem perder a janela de cura caso o tumor mostre sinais de progressão”, detalha o Dr. Eliney.

Estilo de vida e prevenção primária

Embora genética e idade sejam os principais fatores de risco, o estilo de vida impacta a agressividade da doença. A obesidade e a síndrome metabólica estão ligadas a desfechos menos favoráveis.

A recomendação científica para a prevenção primária inclui:

  • Manutenção do peso adequado;
  • Prática regular de atividades físicas;
  • Alimentação equilibrada e redução de gordura corporal;
  • Cessação do tabagismo.

Perguntas frequentes sobre o câncer de próstata (FAQ)

O PSA alto sempre significa câncer? Não. O PSA pode subir devido à inflamação (prostatite) ou ao crescimento benigno da próstata (hiperplasia). Por isso, a avaliação médica é essencial para diferenciar os casos.

O câncer de próstata é hereditário? Sim, existe um componente genético importante. Homens com pai ou irmão que tiveram a doença antes dos 60 anos têm risco dobrado e devem iniciar os exames mais cedo.

A cirurgia robótica é melhor que a aberta? A robótica oferece menor sangramento, recuperação mais rápida e melhor visualização para preservar nervos, mas o resultado final depende da experiência do cirurgião.

O que é o câncer de próstata ‘silencioso’? É aquele que não apresenta nenhum sintoma nas fases iniciais. Por isso, a única forma de descobri-lo a tempo de curar é através do check-up preventivo.

Fontes:

SBOC – Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica;

Dr. Eliney Faria – CRM 34.925 | RQE 24.666

Doutor em Uro-oncologia (USP) e Pós-Doutor em Cirurgia Robótica (MD Anderson). Diretor de Urologia do IRCAD América Latina e Membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

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