O tratamento da obesidade e do sobrepeso ganhou novas perspectivas tecnológicas nos últimos anos, permitindo que os pacientes encontrem alternativas seguras entre o uso de medicações e as cirurgias invasivas. O balão gástrico consolidou-se como uma das principais ferramentas desse segmento por atuar diretamente na mecânica da saciedade, sem a necessidade de intervenções químicas no organismo.
O Dr. Túlio Santos de Medeiros, médico gastroenterologista explicou os critérios de indicação, a eficácia do método e os diferentes modelos disponíveis no mercado.
Indicação formal para colocar o balão gástrico
A indicação clássica para o implante do balão gástrico é baseada no Índice de Massa Corpórea (IMC), cálculo matemático que relaciona o peso e a altura do paciente. Diferente de outros procedimentos estruturais, o balão não exige que o indivíduo esteja na faixa de obesidade para ser recomendado.
“Se o paciente já tiver mais que 27 de IMC, o que caracteriza apenas um sobrepeso, ele já tem indicação formal para o tratamento”, esclarece o Dr. Túlio Medeiros. Essa flexibilidade torna o método uma opção viável para pessoas que falharam em tentativas anteriores de perda de peso através de dietas convencionais, mas que ainda não possuem indicação ou desejo de realizar uma cirurgia bariátrica.
Como o dispositivo atua no estômago de forma natural
Uma das principais razões pela qual os pacientes buscam o balão gástrico é a resistência ao uso contínuo de remédios. Muitas pessoas temem os efeitos colaterais das substâncias químicas ou o risco de dependência biológica associada a estimulantes. O balão funciona como uma alternativa estritamente física.
O dispositivo consiste em uma prótese de silicone que, ao ser preenchida, passa a ocupar entre 70% e 80% da área do estômago responsável por acomodar a comida. Na prática, o paciente ingere volumes menores de alimento e alcança a saciedade de forma muito mais rápida. Além da restrição de espaço, o balão retarda fisicamente o esvaziamento gástrico, fazendo com que o bolo alimentar demore mais tempo para transitar do estômago para o intestino, o que prolonga a sensação de estômago cheio.
Os quatro tipos de tecnologias disponíveis no mercado
A medicina atual oferece abordagens customizadas para o perfil metabólico e o volume de excesso de peso de cada indivíduo. O Dr. Túlio Medeiros aponta que existem quatro tipos de balões gástricos utilizados na prática clínica avançada:
- Balão Deglutível: É uma cápsula que o paciente engole no consultório, sem a necessidade de sedação ou endoscopia. O preenchimento é monitorado via exame de radiografia. Possui duração de 4 meses, sendo eliminado naturalmente pelo sistema excretor (evacuação), ideal para pacientes com IMCs menores.
- Balão de 6 meses: Modelo tradicional de silicone, inserido e retirado por via endoscópica sob sedação leve.
- Balão de 12 meses (Tradicional): Prótese de longa permanência voltada para pacientes que necessitam de uma janela maior de tempo para reeducação alimentar e perda ponderal elevada.
- Balão de 12 meses Ajustável: Tecnologia que possui uma válvula interna regulável por endoscopia. Permite que o médico altere o volume de preenchimento do balão ao longo do ano. O volume pode ser reduzido caso o paciente sinta intolerância ou aumentado se o organismo atingir o efeito platô (estagnação da perda de peso).
Perguntas frequentes sobre o balão gástrico (FAQ)
Colocar o balão gástrico dói ou exige internação hospitalar?
Não. Tanto os modelos endoscópicos quanto o deglutível são procedimentos ambulatoriais realizados em ambiente de clínica ou hospital-dia. O paciente recebe alta poucas horas após o procedimento. Nos primeiros dias, podem ocorrer náuseas e cólicas adaptativas, controladas com medicações orais.
O estômago pode alargar ou ficar danificado permanentemente após a retirada do balão?
Não. O estômago é um órgão muscular elástico. Durante o período de permanência da prótese de silicone, ele se adapta para acomodar o dispositivo, mas retorna ao seu tamanho e tônus original após a retirada do balão, sem sequelas estruturais.
O paciente corre o risco de o balão gástrico estourar dentro do corpo?
Os balões modernos são fabricados com silicone cirúrgico de alta resistência médica, tornando o risco de ruptura extremamente raro. Nos modelos preenchidos com líquido, adiciona-se um corante azul de metileno; caso ocorra um microvazamento, o paciente urina uma coloração esverdeada ou azulada, servindo de alerta visual para buscar o médico.
Como funciona a retirada do balão deglutível de 4 meses?
O balão deglutível possui uma tecnologia programada. Ao completar o período de 4 meses de tratamento, uma válvula interna se abre automaticamente, esvaziando o líquido interno. O filme de silicone restante é eliminado de forma natural e segura pelo trato intestinal, através da evacuação.
Fonte:
Dr. Túlio Santos de Medeiros – CRM-SP: 132.218 | RQE: 35.078
Médico Gastroenterologista e especialista em Endoscopia Digestiva pela SOBED/AMB. Pós-graduado em Doenças Funcionais pelo Hospital Israelita Albert Einstein e membro da Sociedade Americana de Endoscopia Gastrintestinal (ASGE). Coordenador de serviços de endoscopia avançada e bariátrica em São Paulo.
Instagram: @drtuliomedeiros
Site: www.drtuliodemedeiros.com.br
