A chegada do período de férias é o momento ideal para descansar, recarregar as energias e viajar. No entanto, trajetos prolongados de carro, ônibus ou avião escondem um perigo silencioso para o sistema circulatório: a Trombose Venosa Profunda (TVP). Conhecida popularmente como a “síndrome da classe econômica” devido ao espaço reduzido das poltronas em aeronaves, essa condição vascular exige atenção redobrada de quem planeja passar horas consecutivas em deslocamento.
Durante as viagens longas em que permanecemos sentados por muito tempo, ocorre um fenômeno hemodinâmico chamado estase venosa. O sangue depende diretamente da contração dos músculos das pernas (principalmente a panturrilha, nosso “coração periférico”) para retornar ao coração contra a força da gravidade. Sem essa movimentação, o fluxo sanguíneo torna-se excessivamente lento. Esse represamento propicia o cenário ideal para a formação de trombos — coágulos que obstruem as veias profundas e impedem a circulação adequada.
Quem faz parte do grupo de maior risco?
Embora a imobilidade prolongada possa afetar qualquer indivíduo, o risco de desenvolver coágulos aumenta exponencialmente em pessoas que apresentam fatores predisponentes.
Os grupos que necessitam de vigilância médica e cuidados rígidos são:
- • Idosos e pessoas com estilo de vida marcadamente sedentário;
- • Mulheres em uso de anticoncepcionais orais ou terapia de reposição hormonal;
- • Gestantes, puérperas e pessoas com histórico de obesidade;
- • Pacientes com histórico prévio de trombose ou diagnosticados com trombofilias hereditárias;
- • Indivíduos em recuperação pós-operatória recente ou que passaram por grandes cirurgias.
Protocolo de prevenção ativa durante o trajeto
A boa notícia é que a trombose em viagens é uma condição altamente evitável através de medidas preventivas simples que estimulam o bombeamento mecânico do sangue:

Sinais de alerta: quando a trombose vira uma emergência médica
A identificação rápida dos sintomas de uma trombose é o fator determinante para evitar complicações catastróficas. Clinicamente, a TVP se manifesta por uma dor súbita e intensa, quase sempre em apenas uma das pernas (unilateral). Essa dor vem acompanhada de inchaço assimétrico, endurecimento da musculatura da panturrilha, aumento da temperatura local (calor), vermelhidão e veias superficiais mais aparentes.
A complicação mais grave e temida da trombose ocorre quando o coágulo se desprende da parede da veia da perna e viaja pela circulação até os pulmões, provocando a Embolia Pulmonar (EP).
SINAIS DE EMERGÊNCIA – VÁ AO PS:
- • Dor torácica súbita e aguda (pontada ao respirar);
- • Falta de ar intensa e inexplicável (dispneia);
- • Tosse seca repentina (podendo apresentar escarro com sangue)
- • Batimentos cardíacos acelerados (taquicardia) e tontura.
A presença desses sintomas exige busca imediata por atendimento médico hospitalar, pois a embolia pulmonar pode ser fatal se não for tratada com medicamentos anticoagulantes nas primeiras horas.
Pacientes com histórico de doenças vasculares avançadas ou que já tiveram trombose no passado podem viajar com total segurança. Contudo, é indispensável realizar uma consulta com o cirurgião vascular antes de embarcar. O especialista avaliará a necessidade de ajustar as medidas de compressão e, em casos selecionados de alto risco, prescreverá medicações profiláticas específicas para o período de deslocamento. Planejar a circulação é o segredo para garantir férias tranquilas e um retorno seguro para casa.
