Médica infectologista esclarece as principais dúvidas sobre uma das doenças virais mais contagiosas do mundo.
Imagem Ilustrativa

Apesar de ser erroneamente interpretada por parte da população como uma simples infecção típica da infância, o sarampo é uma doença infecciosa aguda grave e altamente contagiosa. Causado por um vírus da família Paramyxoviridae, o agente patogênico afeta inicialmente o sistema respiratório e espalha-se rapidamente pela corrente sanguínea para todo o organismo.

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Com o avanço da circulação de vírus e a importância de manter altas coberturas vacinais, compreender os sinais de alerta, as formas de transmissão e o calendário de imunização é uma medida essencial de saúde pública. A Dra. Flávia Maciel Porto, médica infectologista, mestre em Saúde Pública e professora de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi, detalhou o cenário clínico da doença.

Como acontece a transmissão do sarampo?

O sarampo possui um potencial de contágio impressionante. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, de forma direta, através de aerossóis expelidos pelas vias respiratórias quando o indivíduo infectado tosse, espirra, fala ou respira.

Partículas microscópicas contendo o vírus podem permanecer suspensas no ar em ambientes fechados como salas de aula, escritórios ou meios de transporte público por até duas horas após a saída da pessoa doente.

“Para ilustrar o perigo: o sarampo é tão contagioso que uma única pessoa infectada pode transmitir a doença para até 90% das pessoas ao seu redor que não estejam protegidas através da vacinação”, destaca a Dra. Flávia Maciel Porto.

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Outro fator de risco crítico é o período de transmissão silenciosa: o contágio começa de 4 a 6 dias antes do aparecimento das manchas vermelhas na pele e estende-se até 4 a 6 dias depois, fazendo com que o paciente transmita o vírus dias antes de se sentir efetivamente doente.

Sintomas e fases clínicas da infecção

Após a contaminação, os sintomas manifestam-se em média após 10 dias, evoluindo em estágios bem-caracterizados:

 1 – Fase Inicial (Pródromo): Febre alta (acima de 38,5°C e com duração de 4 a 7 dias), tosse persistente, coriza intensa e conjuntivite com vermelhidão e aversão à luz. Nessa etapa, surgem as chamadas manchas de Koplik(pequenos pontos brancos na mucosa interna das bochechas), que são um indicativo clínico clássico.

2 – Fase Exantemática (Manchas na Pele): Cerca de 3 a 5 dias após o início dos sintomas, irrompem as manchas vermelhas típicas. As lesões começam na cabeça e atrás das orelhas, espalhando-se progressivamente para o tronco, braços e pernas.

Sinal de Alerta: A persistência da febre alta mesmo após o surgimento das manchas vermelhas na pele indica o desenvolvimento de complicações graves e exige avaliação médica imediata.

Riscos e complicações do sarampo

O principal perigo da doença reside em suas complicações sistêmicas e pulmonares. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, em 2024, o sarampo provocou cerca de 95 mil mortes no mundo, sobretudo em crianças menores de cinco anos não vacinadas.

As complicações comuns englobam infecções de ouvido (otites) e quadros de diarreia severa com risco de desidratação. Já os quadros graves incluem a pneumonia bacteriana secundária e a encefalite (inflamação aguda do cérebro). Em gestantes, o sarampo eleva consideravelmente o risco de abortamento espontâneo, parto prematuro e o nascimento de bebês com baixo peso. O vírus também pode deixar sequelas permanentes, como cegueira, surdez e atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor.

A importância da vacinação e a imunidade de rebanho

Não existe um tratamento antiviral específico para eliminar o vírus do sarampo; a conduta médica é puramente de suporte para aliviar os sintomas e prevenir infecções secundárias. Por isso, a vacinação permanece como a única ferramenta de prevenção verdadeiramente eficaz.

Duas doses da vacina tríplice viral (MMR) conferem cerca de 97% de eficácia protetora duradoura. A imunização em massa garante a chamada imunidade coletiva (ou de rebanho). Para interromper completamente a circulação do vírus altamente contagioso, a OPAS/OMS estima que a cobertura vacinal de forma homogênea deva alcançar pelo menos 95% da população.

Quem precisa tomar a vacina? 

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil estabelece o seguinte calendário de rotina:

• Crianças: Primeira dose aos 12 meses de idade e segunda dose aos 15 meses (com a vacina tríplice viral).

• Indivíduos de 1 a 29 anos: Devem comprovar duas doses da vacina no cartão.

• Indivíduos de 30 a 59 anos: Devem comprovar pelo menos uma dose recebida ao longo da vida.

• Profissionais de Saúde: Devem obrigatoriamente comprovar duas doses válidas, independentemente da idade.

• Dose Zero: Recomendada em situações de surto ou bloqueio epidemiológico para bebês entre 6 e 11 meses (esta dose emergencial não substitui as doses regulares aos 12 e 15 meses).

Contraindicações: Por ser formulada com vírus vivo atenuado, a vacina é contraindicada para gestantes e pessoas com imunossupressão severa.

Onde tomar a vacina de forma gratuita?

O imunizante está disponível de forma totalmente gratuita nas salas de vacinação das Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o território nacional. Para atualizar o cartão de vacina, basta comparecer ao posto portando um documento de identidade e a caderneta de vacinação.

Fonte:

Dra. Flávia Maciel Porto – CRM: 110175/SP
Médica infectologista, mestre em Saúde Pública e professora de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi (Campus de São José dos Campos).

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