Cantora galesa passou por cirurgia de urgência em Portugal e segue em coma induzido; especialista alerta para os riscos da peritonite e sepse.
Bonnie Tyler — Foto: Tina Korhonen/Divulgação

A cantora galesa Bonnie Tyler, voz do sucesso mundial “Total Eclipse of the Heart”, foi internada às pressas em um hospital de Faro, no sul de Portugal. De acordo com informações do jornal português Correio da Manhã, a artista sofreu uma ruptura do apêndice após sentir fortes dores abdominais. Ao CM, Liberto Mealha amigo próximo da artista, confirmou que a estrela precisou ser operada com urgência e induzida ao coma.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O Dr. Fernando Furlan, cirurgião do aparelho digestivo e especialista em procedimentos de alta complexidade, explicou os perigos da apendicite quando o diagnóstico demora a ser realizado e a doença evolui para peritonite.

Sintomas de alerta: como identificar a apendicite

A apendicite é uma inflamação aguda que exige intervenção rápida. O sintoma mais clássico é a dor abdominal intensa que se localiza no lado direito inferior do abdômen, próximo à virilha. Frequentemente, o desconforto começa na região do umbigo ou na boca do estômago antes de se fixar à direita.

Além da dor aguda, o Dr. Fernando Furlan destaca que o paciente pode apresentar náuseas, vômitos, falta de apetite e febre. “É uma doença aguda em que acontece a obstrução do apêndice. Com essa obstrução, a pressão interna aumenta, o que pode levar à supuração e necrose”, explica o cirurgião.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Complicações graves: necrose, peritonite e sepse

O maior risco da apendicite é a perfuração do órgão. Quando o apêndice rompe, o conteúdo infeccioso se espalha pela cavidade abdominal, causando o que a medicina chama de peritonite. No caso de Bonnie Tyler, o agravamento do quadro exigiu a internação em unidade de terapia intensiva.

“A peritonite é uma infecção grave que pode levar à sepse e até ao óbito”, alerta o Dr. Fernando Furlan. A sepse ocorre quando a resposta do corpo à infecção danifica seus próprios tecidos e órgãos, tornando o quadro clínico extremamente delicado e de risco sistêmico.

Tratamento cirúrgico e o processo de recuperação

No Brasil, o tratamento preconizado para a apendicite é cirúrgico e de urgência. A remoção do apêndice inflamado pode ser feita por videolaparoscopia (através de pequenos furos na barriga) ou, em casos mais graves e com infecção generalizada, por meio da cirurgia convencional de corte.

O uso exclusivo de antibióticos tem sido estudado, mas apresenta alto índice de recidiva em curto prazo. Após a cirurgia, a ausência do apêndice não traz prejuízos à saúde do paciente. O foco do pós-operatório em casos complexos como o da cantora galesa é o controle da infecção e a estabilização das funções vitais.

Perguntas frequentes sobre apendicite (FAQ)

A apendicite pode ser confundida com gases? Sim, nas fases iniciais a dor pode ser confundida com desconfortos gástricos. No entanto, se a dor persistir, aumentar de intensidade e se deslocar para o lado inferior direito, deve-se buscar um pronto-socorro imediatamente.

O que causa o rompimento do apêndice? A obstrução por resíduos sólidos ou inflamação linfática gera um aumento de pressão que impede a circulação sanguínea no órgão, levando à necrose e, consequentemente, à perfuração da parede do apêndice.

Por que a cantora foi colocada em coma induzido? Em casos de infecções abdominais graves e sepse, o coma induzido ajuda a reduzir o esforço do organismo, permitindo que a equipe médica controle a ventilação e a medicação de forma mais eficaz enquanto o corpo combate a infecção.

Existem restrições após retirar o apêndice? Após a recuperação completa da cirurgia e da infecção, o paciente não possui restrições alimentares ou físicas permanentes causadas pela ausência do órgão.

Fonte:

Dr. Fernando Furlan Nunes – CRM-SP: 133.755 | RQE: 72.112

Cirurgião do Aparelho Digestivo com residência em Cirurgia Geral. Especialista em procedimentos de alta complexidade e tratamento de patologias do sistema digestório.

Publicidade
Publicidade