A obesidade deixou de ser vista apenas como uma questão estética para ser compreendida como uma doença inflamatória crônica e sistêmica. No Brasil, os dados do Ministério da Saúde são alarmantes: 26% da população adulta é obesa e mais da metade está acima do peso.
Essa condição é um gatilho para alterações hormonais e metabólicas graves, funcionando como fator de risco para diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. A Dra. Leticia Lucas, médica pós-graduada em nutrologia, falou sobre essa inflamação invisível no organismo.
O perigo da inflamação invisível nos rins e coração
O excesso de tecido adiposo mantém o corpo em um estado inflamatório permanente. Segundo a Dra. Leticia Lucas, essa inflamação libera substâncias que danificam vasos sanguíneos e sobrecarregam órgãos como os rins e o coração de forma silenciosa.
“Muitos pacientes relatam cansaço e inchaço, mas os exames básicos ainda não mostram nada grave. O problema começa muito antes de aparecer como doença”, explica a médica. Tratar nessa fase inicial é crucial para evitar complicações renais ou cardíacas severas no futuro.
A relação direta entre excesso de peso e o câncer
Um dos maiores erros é associar a obesidade apenas ao diabetes. O excesso de gordura cria um ambiente interno que favorece o crescimento celular desorganizado e mutações. A inflamação constante e o aumento da insulina estimulam a proliferação de células anormais.
Na prática clínica, isso se traduz em um risco real para câncer de mama, intestino, fígado e pâncreas. “O corpo não diferencia ‘alguns quilos a mais’ de um processo metabólico ativo que favorece o surgimento de tumores”, alerta a Dra. Leticia.
Por que a força de vontade não basta no emagrecimento
Muitas vezes, o paciente acredita que falhou em sua dieta, mas a ciência mostra que o corpo obeso é biologicamente programado para recuperar o peso. Desequilíbrios na insulina e na leptina (hormônio da saciedade) sabotam as tentativas de emagrecimento ao reduzir o gasto energético e aumentar a fome.
A Dra. Leticia Lucas reforça que, sem um tratamento clínico adequado para corrigir o ambiente hormonal, o resultado raramente é sustentável. “Força de vontade sem estratégia metabólica não sustenta resultado. O organismo joga contra o paciente se não houver correção”.
Nutrologia: corrigindo a resposta do metabolismo
Diferente das dietas restritivas da moda, o papel da nutrologia é individualizar o tratamento. É comum encontrar pacientes acima do peso que apresentam, simultaneamente, graves carências nutricionais e metabolismo lento.
“Dieta tenta controlar o que você come; o tratamento nutrológico corrige como seu corpo responde ao que você come”, define a médica. O foco deve ser destravar o metabolismo e corrigir desregulações hormonais, tratando a obesidade como a doença complexa que ela realmente é.
Perguntas frequentes sobre obesidade e nutrologia
O que é inflamação crônica causada pela gordura?
É um estado onde o excesso de células adiposas libera citocinas inflamatórias no sangue, danificando tecidos e órgãos de forma contínua e silenciosa.
Por que é difícil manter o peso após uma dieta rápida?
Porque dietas restritivas podem desregular ainda mais os hormônios da fome. Sem ajuste metabólico, o corpo entende a dieta como uma ameaça e reduz o gasto de energia.
Existem sinais de que meu metabolismo está “travado”?
Sim. Dificuldade extrema de perder peso mesmo com dieta, cansaço excessivo, inchaço constante e exames de insulina alterados são sinais de alerta.
Qual a importância do nutrólogo no controle do peso?
O nutrólogo avalia deficiências de vitaminas e minerais, saúde intestinal e equilíbrio hormonal, criando uma estratégia clínica que vai além da contagem de calorias.
Fonte:
Dra. Leticia Lucas – CRM-SP: 215419
Médica graduada pela FAME – JF, pós-graduada em Nutrologia pela USP e capacitada em Medicina Funcional Integrativa. Especialista em otimização da saúde e manejo metabólico da obesidade.
