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Sobreviver a um infarto agudo do miocárdio é, para muitos, o início de uma nova chance. No entanto, o que muitos pacientes não sabem é que os primeiros 12 meses após o evento são os mais críticos. Nesse período, o risco de um novo infarto, isquemia recorrente ou óbito é significativamente elevado devido a um estado de inflamação e alterações biológicas que o corpo enfrenta após a síndrome coronariana aguda.

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Fatores como idade, diabetes, tabagismo e sedentarismo pesam nessa conta, mas há um vilão silencioso que muitas vezes negligenciamos na prevenção: o controle ineficiente do colesterol.

O desafio do controle do LDL no Brasil

As diretrizes brasileiras são claras: para um paciente de muito alto risco cardiovascular, como aquele que já infartou, a meta de colesterol LDL deve ser menor que 50 mg/dL. No entanto, o que observamos na prática clínica, tanto no Brasil quanto no mundo, é uma ineficiência na prevenção de novos eventos devido ao controle inadequado desse perfil lipídico.

Diferente do que ocorre em alguns países da Europa, no Brasil a associação de medicamentos (como a estatina somada à ezetimiba) ainda não é a conduta imediata padrão. Atualmente, a ezetimiba costuma ser indicada apenas quando a dose máxima de estatina não atinge a meta necessária. Contudo, dados recentes sugerem que uma estratégia de otimização precoce com essa combinação pode ser promissora para reduzir o risco residual.

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Por que a mortalidade precoce ainda é tão alta?

Avançamos muito no tratamento da doença já estabelecida, mas a prevenção secundária — aquela feita para evitar o segundo infarto — ainda falha. O principal motivo é a falta de adesão ao tratamento.

É extremamente frequente o paciente abandonar o uso dos medicamentos ou o acompanhamento com o cardiologista assim que começa a se sentir melhor e os sintomas desaparecem. Esse “falso bem-estar” contribui substancialmente para as elevadas taxas de recorrência. Para se ter uma ideia, estima-se que o controle adequado do perfil lipídico poderia reduzir em até 57% os novos infartos.

O paciente como protagonista do cuidado

Para mudar esse cenário, é fundamental que o paciente entenda a cronicidade e a gravidade da doença cardiovascular. Não se trata apenas de tratar um evento isolado, mas de gerenciar uma condição que exige cuidado constante.

O envolvimento do paciente no centro do cuidado é a chave. Compreender que a medicação e a mudança no estilo de vida são proteções diárias é o que garantirá uma vida longa e com qualidade após o susto de um infarto.

 

Referência Científica: J Am Coll Cardiol 2025; SWEDEHEART Registry.

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